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Mariana Rios
Publicado em 1 de junho de 2026 às 16:45
Você já interrompeu uma conversa com seu filho para responder uma mensagem no celular? Ou passou alguns minutos rolando as redes sociais enquanto a criança tentava chamar sua atenção? Segundo novas recomendações divulgadas nesta segunda-feira (1º) pela Agência de Saúde Pública da Suécia, esse hábito pode ter mais impacto na vida das crianças do que muitos pais imaginam. >
O alerta foi publicado pela autoridade de saúde sueca após uma revisão de estudos científicos sobre como o uso de telas por pais e responsáveis influencia a saúde, o comportamento e o bem-estar de crianças e adolescentes.>
De acordo com a Agência de Saúde Pública da Suécia, as pesquisas mostram que os filhos não são afetados apenas pelo próprio tempo que passam diante das telas, mas também pela forma como os adultos usam celulares, tablets e outros dispositivos durante a convivência familiar.>
Entre as principais orientações está uma recomendação simples: guardar o celular quando estiver com a criança e utilizá-lo apenas quando for realmente necessário ou como parte de uma atividade compartilhada.>
Os pesquisadores identificaram que interrupções frequentes na interação entre pais e filhos causadas pelo uso do celular podem gerar reações negativas, especialmente entre as crianças menores. Em estudos observacionais e experimentais, crianças apresentaram mais episódios de irritação e choro e menos demonstrações de alegria, como sorrisos e risadas, quando um dos responsáveis desviava a atenção para o aparelho.>
Outro ponto destacado pela agência é o chamado "efeito espelho". Crianças tendem a reproduzir os comportamentos observados em casa. Por isso, pais que passam muito tempo conectados acabam aumentando a probabilidade de que os filhos também desenvolvam um uso mais intenso das telas.>
A nova orientação também chama atenção para a exposição de crianças nas redes sociais. A recomendação é que pais e responsáveis reflitam antes de publicar fotos e vídeos dos filhos, respeitando sua privacidade e considerando possíveis impactos futuros.>
Para ajudar as famílias, a autoridade sueca sugere medidas práticas. Uma delas é criar áreas livres de telas para todos os moradores da casa, e não apenas para as crianças. A mesa durante as refeições e os quartos são exemplos de espaços onde o celular pode ficar de fora.>
Outra dica é explicar aos filhos por que o aparelho está sendo usado em determinadas situações. Se o adulto estiver consultando um mapa, fazendo uma ligação importante ou buscando uma informação, comunicar isso à criança ajuda a diferenciar o uso necessário do uso automático ou excessivo.>
A preocupação também aparece nas estatísticas. Segundo dados citados pela Agência Sueca de Mídia, mais da metade dos pais de crianças entre 0 e 12 anos acredita passar tempo demais no celular. Em pesquisas qualitativas realizadas anteriormente, muitas crianças relataram frustração quando os pais davam mais atenção ao telefone do que às interações familiares.>
Para Helena Frielingsdorf, psiquiatra e pesquisadora da Agência de Saúde Pública da Suécia, as pequenas atitudes dos adultos podem produzir efeitos duradouros.>
"As crianças são influenciadas não apenas pelo que os adultos dizem, mas também pelo que eles fazem. Pequenas mudanças na rotina podem fortalecer a interação familiar hoje e contribuir para hábitos mais saudáveis no futuro", afirmou a especialista.>