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Perla Ribeiro
Publicado em 4 de junho de 2026 às 16:17
Uma avaliação clínica realizada com mais de mil profissionais de 38 empresas brasileiras revelou que 51,6% dos trabalhadores diagnosticados com ansiedade não estão recebendo nenhum tipo de tratamento. O dado foi produzido pela Axenya a partir da aplicação do PHQ-9, instrumento de rastreio validado internacionalmente e utilizado por psiquiatras em consultório. >
Os dados foram apresentados em conjunto com um levantamento de consumo de medicamentos para saúde mental realizado pela Vidalink com 91 mil beneficiários, o resultado expõe uma contradição que as empresas raramente conseguem ver: saber do problema não está se traduzindo em cuidado. >
Como controlar ansiedade
O PHQ-9 é um instrumento de rastreio (screening) de alta qualidade de depressão e ansiedade. Ao contrário das pesquisas de clima e engajamento que dominam o mercado de RH, ele captura sintomas com precisão clínica — e o que os dados da Axenya mostram difere substancialmente do que as empresas costumam enxergar. A avaliação pode ser considerada relevante para rastreio populacional no ambiente corporativo.>
Pelos dados da empresa, 12,2% dos profissionais avaliados apresentam sinais de depressão moderada ou acima, e 62,7% dormem seis horas ou menos por noite. No total, um em cada três colaboradores apresenta algum sinal clínico relevante.>
"Do ponto de vista clínico, rastreamento só faz sentido quando há tratamento eficaz disponível para a condição detectada. É um princípio básico da medicina: o objetivo final não é identificar o problema — é alterar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida de quem foi rastreado. O que os dados mostram é que metade das pessoas identificadas com ansiedade não chegou a essa segunda etapa. O rastreamento foi feito. O cuidado, não", afirma a diretora médica da Axenya, Aline Pasiani.>
Emoções negativas crescem entre as mulheres>
O levantamento da Vidalink sobre consumo de medicamentos reforça o paradoxo. Enquanto a Axenya promove o rastreio, a Vidalink rastreia o que acontece depois: em um único ano, os 91 mil beneficiários analisados adquiriram antidepressivos ou ansiolíticos, movimentando R$ 31 milhões. O volume expressa o quanto o problema já chegou ao sistema de saúde, mas não necessariamente ao cuidado contínuo: metade dos diagnosticados com ansiedade permanece sem qualquer acompanhamento terapêutico. O medicamento chega. O tratamento, não.>
Entre os grupos analisados, a Geração Z concentra os dados mais preocupantes. O Check-up de Bem-Estar 2025, feito com 11.600 profissionais de 250 empresas brasileiras, aponta que quanto mais jovem o trabalhador, pior é sua percepção de bem-estar e menor é a adesão a qualquer prática de autocuidado. 30% dos jovens da Geração Z se declaram insatisfeitos com seu nível de bem-estar — o maior índice entre todas as gerações.>
A distância entre diagnóstico e comportamento é especialmente acentuada nessa faixa etária. Entre as mulheres jovens, 39% afirmam não fazer absolutamente nada pela própria saúde mental, índice que cai para 14% entre as Baby Boomers. O exercício físico, por exemplo, é adotado como prática de cuidado por 46% dos homens da geração mais velha, mas por apenas 34% dos jovens. E, no consumo de medicamentos, a Geração Z é a única faixa etária com crescimento registrado: entre jovens mulheres, a alta foi de +9% no último ano.>
O levantamento revela que um em cada quatro colaboradores acumula dois ou mais fatores de risco simultâneos, um dado que pesquisas de opinião simplesmente não conseguem captar. O levantamento da Vidalink mostrou que o volume de medicamentos cresce, mas o acesso ao tratamento não acompanha. “Quando a empresa pergunta como o colaborador está, recebe uma resposta social. Quando mede, o cenário muda completamente. O que estamos entregando não é uma percepção — é um dado”, finaliza Aline.>
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