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Perla Ribeiro
Publicado em 14 de maio de 2026 às 17:48
A melatonina, amplamente conhecida por seu papel na regulação do sono, tem ganhado uma solução simples pode esconder riscos. O alerta é do novo informativo técnico do Grupo Técnico de Trabalho (GTT) de Suplementos Alimentares do Conselho Regional de Farmacêuticos (CRF-SP), que chama atenção para o uso indiscriminado do suplemento. >
Um estudo de 2025, apresentado pela American Heart Association (EUA), acendeu um sinal de alerta importante. A análise acompanhou, por cinco anos, mais de 130 mil adultos com insônia que utilizaram melatonina por pelo menos um ano e identificou maior probabilidade de diagnóstico de insuficiência cardíaca, além de aumento no risco de hospitalizações e mortalidade por qualquer causa.>
Insônia - como ter um sono melhor
No Brasil, a melatonina foi autorizada como suplemento alimentar pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021, com limite de consumo diário de 0,21 mg para adultos. O produto não pode ter indicação terapêutica e é contraindicado para crianças, gestantes, lactantes e profissionais que exercem atividades que exigem atenção contínua.>
Apesar de ser um hormônio naturalmente produzido pelo organismo, a melatonina não deve ser utilizada de forma indiscriminada. Seu uso pode ser indicado em situações específicas, como distúrbios do sono, incluindo insônia, jet lag e alterações do ritmo biológico, sempre com avaliação individualizada.>
“O fato de ser um suplemento não significa que seja isento de riscos. A melatonina pode interagir com medicamentos, sofrer variações no metabolismo entre diferentes pessoas e até causar efeitos indesejados quando utilizada sem critério”, destaca o material técnico.>
Outro ponto de atenção é a diferença entre a dose fisiológica produzida pelo organismo e as doses utilizadas em estudos clínicos, muitas vezes superiores ao limite permitido no Brasil, o que reforça a necessidade de acompanhamento profissional. Além de regular o ciclo sono-vigília, a melatonina possui ação antioxidante e influencia processos metabólicos. Ainda assim, especialistas são categóricos: ela não substitui hábitos essenciais como alimentação equilibrada, prática de atividade física e higiene do sono.>
Diante do avanço do consumo, muitas vezes associado à automedicação e à percepção de que se trata de um produto “natural e seguro”, o CRF-SP reforça o papel do farmacêutico como profissional essencial na orientação à população. Presente em farmácias e serviços de saúde, o farmacêutico está preparado para esclarecer dúvidas, avaliar possíveis interações medicamentosas e garantir o uso seguro de suplementos.>
O informativo técnico completo está disponível no portal do CRF-SP e integra uma série de conteúdos voltados à promoção do uso racional de suplementos alimentares, com base em evidências científicas e na segurança do paciente.>