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Carol Neves
Publicado em 17 de abril de 2026 às 14:18
Um caroço endurecido, geralmente sem dor, aumento de volume, sensação de peso na bolsa escrotal e mudanças na textura dos testículos estão entre os sinais que podem indicar câncer de testículo. Embora represente cerca de 5% dos tumores urológicos e tenha altas chances de tratamento bem-sucedido, a doença pode evoluir rapidamente e provocar sequelas permanentes ou até levar à morte se não for identificada a tempo. Durante o Abril Lilás, mês dedicado à conscientização sobre esse tipo de tumor, especialistas reforçam a importância da prevenção, especialmente entre homens jovens de 15 a 40 anos. “É um momento para conscientizar os jovens sobre a importância da prevenção”, explica o oncologista André Bacellar, da Oncoclínicas. >
Diferentemente de outros tipos de câncer, o tumor testicular não conta com exame específico de rastreamento. Por isso, o autoexame mensal é apontado como a principal estratégia de detecção precoce. “O autoexame mensal é a principal forma de prevenção, é simples e deve ser feita após o banho quente, permitindo identificar alterações precoces nos testículos”, orienta André Bacellar.>
Segundo a oncologista Carolina Rocha, quando identificado no início, o câncer testicular apresenta elevadas taxas de cura. “O tumor testicular se desenvolve muito rapidamente, mas quando ele é detectado cedo e tratado adequadamente, a possibilidade de cura pode ser superior a 95%. Por isso, ao notar qualquer alteração de textura ou nódulo no local, o indivíduo deve buscar ajuda médica imediatamente para uma investigação”, esclarece.>
O alerta para o câncer de próstata
A especialista também destaca que a prevenção deve incluir consultas periódicas com o urologista, especialmente em casos de maior risco. “Nos casos dos pacientes com histórico familiar de câncer urológico, o médico vai definir a periodicidade das consultas para um monitoramento mais efetivo”, acrescenta Carolina Rocha.>
Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão histórico familiar (pai ou irmão com diagnóstico), predisposição genética, idade entre 20 e 40 anos, presença de testículo não descido ao nascer (criptorquidia), infecção por HIV e raça, já que homens brancos apresentam risco de cinco a dez vezes maior.>
Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2015 e 2024, foram realizadas 47.928 orquiectomias no Brasil - cirurgia para retirada de um ou ambos os testículos - o que representa média anual de aproximadamente 4,8 mil procedimentos.>
De acordo com Carolina Rocha, identificar o tumor precocemente pode reduzir impactos duradouros na qualidade de vida. “Além de permitir um tratamento menos invasivo, o diagnóstico em estágio inicial pode evitar sequelas que impactam a vida do paciente, como uma infertilidade que pode ser temporária ou irreversível”, afirma.>
O câncer se desenvolve nos testículos, responsáveis pela produção de espermatozoides e testosterona, e pode comprometer a função hormonal e reprodutiva. “Tanto o tumor como o seu tratamento podem causar alterações hormonais que comprometem a produção de espermatozoides, deixando o paciente infértil”, explica André Bacellar. “Nos casos em que a neoplasia atinge os dois testículos e o tratamento indicado é a remoção cirúrgica de ambos, é importante que a equipe médica avalie junto com o paciente, caso ele queira ter filhos no futuro, a possibilidade do congelamento de sêmen para preservação da sua fertilidade”, acrescenta o médico.>