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O acidente doméstico que mais ameaça a saúde dos idosos e pode ter consequências fatais

Médicos alertam para o risco de fraturas graves, perda de autonomia e complicações que podem ser fatais

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 10 de junho de 2026 às 13:12

idosos e jovens
O acidente doméstico que mais ameaça a saúde dos idosos e pode ter consequências fatais Crédito: Reprodução | Freepik

Quem nunca escorregou no banheiro, tropeçou no tapete ou quase caiu ao descer uma escada? Situações comuns do cotidiano que, com o passar dos anos, podem se tornar armadilhas perigosas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu a data de 24 de junho como o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, alertando sobre um problema que afeta todas as idades, mas especialmente os idosos.

Dados do Ministério da Saúde sobre registros de atendimentos ambulatoriais e internações de idosos, entre 60 e 100 anos, em decorrência de quedas, reforçam a gravidade do cenário. Nos atendimentos ambulatoriais, janeiro e fevereiro de 2026 somaram 14.044 registros, contra 11.659 no mesmo período de 2025 e 4.624 em 2024. O crescimento é de aproximadamente 20,4% em relação a 2025 e de 203,7% na comparação com 2024.

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Já nas internações, os dois primeiros meses de 2026 registraram 8.319 procedimentos, ante 7.589 em 2025 e 6.458 em 2024. O avanço foi de 9,6% em relação a 2025 e de 28,8% frente a 2024. O número de óbitos de idosos em decorrência de quedas chegou a 16.345 em 2024. Em 2025, os dados preliminares apontam 9.050 mortes.

De acordo com a Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico (SBTO), as quedas em idosos representam um dos maiores desafios para a saúde pública atualmente, devido às suas graves consequências para a qualidade de vida dessa população. Além do risco elevado de fraturas, especialmente de quadril, que podem levar à perda da autonomia e até a mortalidade precoce, as quedas impactam diretamente na capacidade funcional, gerando limitações físicas, dependência e isolamento social.

A fratura no quadril é uma condição extremamente séria em idosos, pois, além da lesão óssea, pode levar a complicações graves como infecções, trombose e pneumonia, elevando significativamente o risco de mortalidade, que pode chegar a 20% a 30% no primeiro ano após o acidente.

“Uma fratura de quadril no idoso não deve ser encarada apenas como um osso quebrado, mas como um evento de grande complexidade clínica, que pode comprometer significativamente a autonomia, a mobilidade e até a sobrevida do paciente. Em muitos casos, ela ocorre em pessoas já fragilizadas, com doenças crônicas, osteoporose ou perda de massa muscular, o que torna o tratamento e a recuperação mais desafiadores”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico, Luiz Henrique Penteado da Silva, ortopedista especialista em cirurgia do quadril.

Segundo o médico, além do risco cirúrgico e das complicações associadas à internação prolongada, como infecções, trombose e perda funcional, existe também o impacto emocional e social, já que muitos idosos deixam de conseguir realizar atividades básicas do dia a dia após uma fratura. “Por isso, prevenção, diagnóstico rápido e tratamento adequado são fundamentais para reduzir sequelas e melhorar a recuperação”.

O que fazer quando um idoso sofrer uma queda?

Ao presenciar uma queda, o primeiro passo é manter a calma e verificar se o idoso está consciente. Se estiver, pergunte se sente dor em alguma parte do corpo. Observe se há dificuldade de locomoção ou dor intensa em regiões específicas, sinais que podem indicar fratura. Nesse caso, não o movimente, mantenha-o deitado em uma posição confortável e acione o socorro médico.

Se a queda parecer leve, ajude o idoso a se sentar e fique ao lado dele até que se recupere do susto. No dia seguinte, observe se surgiram hematomas ou dores persistentes. Caso os sintomas permaneçam ou piorem, leve-o imediatamente ao hospital. “Mesmo quando a queda parece simples, os riscos de complicações são altos, principalmente entre os mais velhos. Por isso, todo cuidado é pouco, tanto na prevenção quanto no atendimento imediato”, fala o ortopedista.

Prevenção

Algumas medidas simples podem fazer toda a diferença na prevenção de quedas dentro de casa, como usar calçados confortáveis e antiderrapantes e nunca andar apenas de meias. Se utilizar bengala, é importante verificar se a borracha da ponta está gasta e, se necessário, fazer a troca.

Na questão estrutural, remova fios soltos que cruzam os cômodos e, se possível, troque o piso do banheiro por um modelo antiderrapante. Evite prateleiras de vidro e mantenha a casa sempre bem iluminada, principalmente o caminho até o banheiro durante a noite. Instalar lâmpadas sensoriais pode ajudar a evitar a necessidade de procurar o interruptor no escuro.

Também é importante adaptar os ambientes com suportes, corrimãos e outros acessórios de segurança no banheiro, sala, corredores e quarto. E, por fim, a prática regular de atividades físicas deve ser incentivada, pois ajuda a manter a força, o equilíbrio e a mobilidade, fatores essenciais para evitar quedas e preservar a autonomia na terceira idade.