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Agência Einstein
Publicado em 21 de maio de 2026 às 09:41
O mamão já é conhecido por ajudar no funcionamento do intestino, mas um estudo da Universidade de São Paulo (USP) indica que o fruto pode ser ainda mais benéfico quando está maduro. Recém-publicada no periódico científico International Journal of Biological Macromolecules, a pesquisa mostra que alterações na pectina, um tipo de fibra, aumentam seus efeitos sobre a microbiota intestinal. >
Além da análise da composição do papaia, os cientistas avaliaram a atuação da pectina em um modelo com animais de laboratório. Eles verificaram que a substância contribui para a produção dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), compostos que servem como fonte de energia para os colonócitos, células do intestino grosso. Isso contribui para a integridade da mucosa nessa região.>
A pectina também está associada ao equilíbrio da microbiota. “Garantir que esse ecossistema esteja saudável favorece o intestino, inclusive, alguns estudos indicam benefícios à saúde mental, assim como ao sistema imunológico”, comenta o médico nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita.>
Alimentação saudável
Zelar pela microbiota evita a chamada disbiose, que é um desequilíbrio entre os micro-organismos que habitam o intestino, com maior quantidade de micróbios perigosos em comparação com as bactérias benéficas. Nesse cenário, ocorre um aumento da permeabilidade intestinal, e substâncias nocivas podem ultrapassar a barreira, caindo na circulação e propiciando danos.>
“A ingestão do papaia maduro colabora para o aumento de espécies dos gêneros Lactobacillus, o que sugere o potencial prebiótico da pectina”, comenta a nutricionista Janaina Lombello Santos Donadio, autora da pesquisa, realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. “Durante o amadurecimento do mamão, a pectina passa a ter menor tamanho, o que a torna ainda mais solúvel em água e bioativa”, descreve o farmacêutico-bioquímico João Paulo Fabi, coordenador do estudo. Nesse novo formato, os efeitos benéficos das fibras são mais pronunciados.>
A transformação do fruto>
O mamão é classificado como climatérico, ou seja, continua amadurecendo mesmo após a retirada do pé. “Esse processo envolve diversas transformações bioquímicas, responsáveis por modificar a consistência, a cor e o sabor do fruto”, detalha Fabi.>
Quando na árvore, tem casca e polpa endurecidas. Após a colheita, ocorre um aumento expressivo de etileno, o hormônio da maturação, que estimula a ação de enzimas. “É por isso que embrulhar algumas frutas em jornal ajuda a acelerar o amadurecimento”, diz o pesquisador. As enzimas vão quebrando as paredes celulares do vegetal, ou seja, as fibras.>
O visual também muda: se em estágio anterior o mamão era verde graças à concentração de clorofila, ao maturar, apresenta coloração laranja ou avermelhada. Esses tons denunciam a presença de carotenoides, uma família de pigmentos. E para cada variedade há um tipo: no mamão formosa o destaque é o betacaroteno, já no papaia, o licopeno aparece em maior quantidade.>
Os carotenoides são conhecidos pela potente ação antioxidante, o que significa que ajudam a neutralizar os radicais livres, que, em excesso, estão por trás de prejuízos às células. O fruto acumula ainda a vitamina C, que também é festejada pelos efeitos antioxidantes. Vegetais produzem esses compostos visando a proteção da planta contra variações do clima, bem como do sol, dos ventos e outras intempéries.>
Quanto ao gosto, o fruto vai do amargo ao doce, graças ao trabalho de enzimas que quebram a sacarose em glicose e frutose, resultando em um alimento com maior dulçor. Entre as enzimas, vale destacar a papaína, que seria uma aliada na digestão das proteínas. Inclusive, há quem recomende como opção de sobremesa, justamente por essa atuação.>
Para colher todos esses benefícios, porém, é preciso aderir a um estilo de vida saudável, que inclui alimentação equilibrada, prática de atividade física e sono adequado, entre outras boas práticas.>