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O preço das noites mal dormidas: envelhecimento cerebral acelerado e aumento do risco de demência

Avaliação de ondas cerebrais durante o sono pode antecipar o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, expondo falhas que aceleram o declínio cognitivo

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 19 de maio de 2026 às 19:04

Poucas horas de sono podem causar irritabilidade e fadiga (Imagem: Pormezz | Shutterstock)
O preço das noites mal dormidas: envelhecimento cerebral acelerado e aumento dor risco de demência Crédito: Imagem: Pormezz | Shutterstock

Um novo estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, apontou uma conexão importante entre a qualidade do sono e o risco de desenvolver demência. Os pesquisadores descobriram que quando a idade cerebral detectada no sono ultrapassa a idade cronológica, as chances de desenvolver doenças neurodegenerativas aumentam significativamente.

Publicada recentemente pela revista científica JAMA Network Open, a pesquisa utilizou a inteligência artificial para analisar ondas cerebrais durante o sono registradas pelo exame de eletroencefalograma (EEG) de 7 mil participantes entre 40 e 94 anos, nenhum deles com demência no início do estudo.

A deficiência de magnésio pode prejudicar a qualidade do sono (Imagem: MAYA LAB | Shutterstock) por Imagem: MAYA LAB | Shutterstock

Os cientistas concluíram que pessoas cuja idade cerebral no sono é superior à idade cronológica possuem um risco significativamente maior de desenvolver demência. Para cada 10 anos de discrepância, o risco sobe 40%. Os pacientes foram acompanhados por um período de 3,5 a 17 anos, durante o qual cerca de mil participantes desenvolveram o transtorno.

Segundo o neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro, o achado reforça que o sono não é apenas um período de descanso, mas um processo que funciona como uma “limpeza cerebral”.

“Quando falamos que dormir bem é descansar o corpo e a mente, é exatamente por isso. Durante o sono noturno, o cérebro faz uma espécie de autorrestauração, o que está totalmente ligado à saúde cognitiva. Quando ocorre uma falha nesse processo, os sinais podem ser identificados nas ondas cerebrais durante o exame de eletroencefalograma, antes mesmo dos primeiros sintomas das doenças neurodegenerativas, como os lapsos de memória”, comenta.

O estudo levanta a possibilidade de que melhorar a qualidade do sono possa, potencialmente, desacelerar o envelhecimento cerebral. “A forma como o cérebro se comporta enquanto você dorme é um dos indicadores mais precisos de quão rápido ele está envelhecendo e qual o risco futuro de doenças neurodegenerativas. Quando diagnosticamos e tratamos um distúrbio precocemente, estamos agindo diretamente na prevenção. O cérebro que dorme bem é um cérebro que envelhece mais devagar”, complementa o neurologista.

Exames ajudam a identificar a saúde cerebral e a qualidade do sono

Para identificar os riscos que podem acelerar o envelhecimento cerebral, o neurologista Diogo explica que existem dois exames importantes: o eletroencefalograma, que monitora a atividade elétrica do cérebro, identificando padrões de sono fragmentado ou descargas anormais, e a eletroneuromiografia, que atua de forma complementar.

“Por meio desses exames, conseguimos identificar se o paciente está atingindo as fases profundas necessárias para a consolidação da memória. A eletroneuromiografia pode ser essencial também para diagnosticar distúrbios de movimento, como a síndrome das pernas inquietas, ou neuropatias que causam dor e fragmentam o repouso, impedindo que o cérebro complete seus ciclos de restauração”, explica Haddad.

A detecção precoce dessas alterações e algumas mudanças de hábitos podem, literalmente, rejuvenescer o cérebro: “Reduzir o índice de massa corporal e praticar atividades físicas regulares ajuda a diminuir a chance de apneia. Além disso, é importante tratar insônias crônicas e manter uma boa higiene do sono: horário fixo para dormir, ausência de telas uma hora antes de se deitar, ambiente mais escuro e silencioso, jantar leve e escrita de preocupações para esvaziar a mente. Isso não melhora apenas o humor e a disposição no dia seguinte, mas protege a reserva cognitiva a longo prazo”, afirma.