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Perla Ribeiro
Publicado em 26 de maio de 2026 às 17:08
Um ombro mais alto que o outro, a cintura assimétrica, o tronco levemente inclinado ou uma escápula mais evidente podem parecer apenas alterações posturais. Mas esses sinais também podem indicar escoliose, condição caracterizada pelo desvio lateral e pela rotação da coluna vertebral, popularmente conhecida como “coluna em S”. >
Durante o Junho Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a escoliose, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, especialmente em crianças e adolescentes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a escoliose atinge entre 2% e 4% da população mundial. No Brasil, estima-se que mais de seis milhões de pessoas convivam com a doença.>
Dor na lombar e na coluna
De acordo com o ortopedista e cirurgião da coluna André Evaristo Marcondes, a escoliose pode evoluir de forma discreta, principalmente nas fases iniciais. “Em muitos casos, a escoliose não causa dor no começo. O problema é que, quando passa despercebida, a curvatura pode progredir durante o crescimento. Por isso, pais, professores e pediatras precisam estar atentos a pequenas assimetrias no corpo da criança ou do adolescente”, explica o especialista.>
Entre os sinais de alerta estão ombros em alturas diferentes, quadril desalinhado, inclinação do tronco para um dos lados, diferença na altura das escápulas e roupas que parecem “tortas” no corpo. A avaliação médica é simples e pode indicar a necessidade de acompanhamento, fisioterapia, uso de colete ortopédico ou, em casos mais graves, tratamento cirúrgico.>
Segundo Marcondes, a indicação de cirurgia costuma ser considerada quando a curva atinge níveis mais avançados, geralmente a partir de 40 a 45 graus, especialmente quando há risco de progressão ou impacto funcional. “Quando a escoliose chega a graus mais elevados, a deformidade pode comprometer o equilíbrio do tronco, causar dor, prejudicar a qualidade de vida e, em situações mais severas, afetar até a função respiratória e cardíaca. O objetivo do tratamento é impedir que isso aconteça”, afirma.>
Tipos de escoliose>
A escoliose pode ter diferentes causas e formas de apresentação. A mais comum é a Escoliose Idiopática do Adolescente, que surge sem causa definida e costuma aparecer na fase de crescimento. Também existem formas congênitas, relacionadas a malformações presentes desde o nascimento; neuromusculares, associadas a doenças que afetam o equilíbrio muscular; degenerativas, mais comuns em adultos e idosos; e pós-traumáticas, que podem ocorrer após fraturas ou lesões importantes na coluna.>
Nos adultos, a escoliose degenerativa pode provocar dores intensas na região lombar ou torácica, além de desequilíbrio do tronco e limitação para atividades do dia a dia. “Não é apenas uma questão estética. A escoliose pode afetar autoestima, mobilidade, desempenho físico e qualidade de vida. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de controlar a evolução da curva com medidas menos invasivas”, ressalta o cirurgião.>
O especialista reforça que qualquer assimetria persistente deve ser avaliada por um médico, especialmente durante a infância e a adolescência. “Observar a postura da criança, perceber diferenças nos ombros, na cintura ou no jeito de caminhar e procurar avaliação especializada diante de qualquer dúvida é uma atitude simples, mas que pode mudar completamente a evolução da doença”, conclui.>