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País bate recorde de órgãos importados e realiza um dos maiores números de transplantes da história

Quase um em cada oito órgãos transplantados veio do exterior; mudança na lei pode transformar sistema de doação nos próximos anos

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 10 de maio de 2026 às 07:00

Transplante de fígado
Transplante de fígado Crédito: Shutterstock

O número de transplantes realizados em um país europeu atingiu em 2025 o segundo maior patamar da história, impulsionado por um recorde na importação de órgãos vindos de outras nações. Ao longo do ano, 643 pessoas receberam um ou mais transplantes, segundo dados divulgados pela fundação responsável pelo sistema nacional de doação de órgãos da Suiça.

Em comparação, no Brasil foram realizados 31 mil procedimentos ano passado, crescimento de 21% em relação a 2022, quando o total ficou em 25,6 mil. Por aqui, todos os procedimentos são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo exames, cirurgia, acompanhamento médico e medicamentos.

O transplante de córnea foi o mais realizado em 2025 no Brasil: 17.790 procedimentos por Divulgação/Governo do Rio de Janeiro

No sistema suiço, o avanço foi diretamente influenciado pela cooperação internacional. O país importou 69 órgãos em 2025 — o maior número já registrado —, o que significa que quase um em cada oito órgãos transplantados veio do exterior. Os pulmões lideraram a lista de órgãos mais recebidos de outros países. Em contrapartida, 25 órgãos foram enviados para sistemas de transplante internacionais.  Os procedimentos envolvendo coração e pâncreas foram os que apresentaram maior aumento.

Ao todo, 185 pessoas falecidas doaram órgãos no país no ano passado, número ligeiramente inferior ao recorde histórico anterior. Já as doações em vida sofreram queda expressiva: os transplantes de rins e fígados por doadores vivos recuaram 16,5%, totalizando 96 casos. As informações são do SWI swissinfo.ch.

Mesmo com o aumento nos transplantes na Suiça, mais de 2,1 mil pessoas aguardaram por um órgão ao longo de 2025, e 67 morreram antes de conseguir o procedimento — embora esse número represente redução de cerca de 10% em relação ao ano anterior.

O debate sobre a doação de órgãos também ganhou força no país. Atualmente, o sistema funciona pelo modelo de consentimento explícito: os órgãos só podem ser utilizados se houver autorização prévia da pessoa falecida ou da família.

Na prática, porém, muitos parentes recusam a doação quando desconhecem a vontade do familiar. Para tentar ampliar o número de transplantes, uma nova legislação aprovada em consulta popular mudará as regras a partir de 2027.

Com a alteração, todos os cidadãos passarão a ser considerados potenciais doadores após a morte, a menos que tenham registrado oficialmente a recusa em vida — modelo conhecido como sistema de objeção.

Os seis centros de transplante da Suíça funcionam em hospitais universitários das cidades de Basileia, Berna, Genebra, Lausanne e Zurique, além do hospital cantonal de St. Gallen.

São essas unidades que avaliam, a partir do histórico clínico de cada paciente, quem pode receber um transplante e entrar na fila nacional de espera por órgãos. A lista é administrada de forma centralizada e independente pela Swisstransplant.

Plataforma de intercâmbio

Em um momento de crescimento recorde nos transplantes internacionais, a Suíça assumiu neste ano a gestão da FOEDUS, principal plataforma europeia de intercâmbio de órgãos entre países. A organização reúne 25 Estados-membros e coordena a redistribuição de órgãos doados quando não há um receptor compatível disponível no país de origem.

O comando da entidade passou para o médico suíço Franz Immer, CEO e diretor médico da Swisstransplant, fundação responsável pelo sistema de transplantes no país. Ele foi eleito por unanimidade como novo secretário-geral da FOEDUS, sucedendo o tcheco Přemysl Frýda.

Criada inicialmente como um projeto da União Europeia e transformada em associação internacional em 2020, a FOEDUS se tornou a maior plataforma mundial de compartilhamento de órgãos para transplante. O sistema permite que órgãos como coração, pulmão e fígado sejam rapidamente enviados para outros países europeus quando não há pacientes compatíveis na fila local, aumentando as chances de salvar vidas e evitando desperdícios.

Nos últimos cinco anos, o número de órgãos disponibilizados na plataforma triplicou, passando de cerca de 20 para 60 por mês. Atualmente, aproximadamente 20 desses órgãos são transplantados mensalmente entre os países participantes — um aumento de quatro vezes desde 2020. Crianças e adolescentes estão entre os maiores beneficiados pela rede, que cobre uma população estimada em 500 milhões de pessoas.

Segundo a Swisstransplant, a cooperação internacional tem sido decisiva para ampliar o número de transplantes e reduzir mortes nas filas de espera. A logística envolve operações terrestres e aéreas complexas para transportar órgãos em poucas horas entre hospitais europeus.

E no Brasil?

Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda é considerada um dos principais obstáculos. Atualmente, cerca de 45% das famílias brasileiras não autorizam a doação de órgãos após a morte de um parente. 

Com dimensões continentais, o sistema no Brasil é coordenado pela Central Nacional de Transplantes que articula a distribuição interestadual de órgãos. Somente em 2025, a estratégia permitiu a realização de 867 transplantes de rim, 375 de fígado, 100 de coração, 25 de pulmão e quatro de pâncreas entre estados diferentes.

Tags:

Brasil Saúde Sus Suíça Transplante