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Mariana Rios
Publicado em 15 de maio de 2026 às 23:30
Pesquisadores da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apresentaram uma nova estratégia para melhorar a previsão de surtos de doenças transmitidas por mosquitos. O modelo utiliza dados climáticos — como temperatura, volume de chuvas, umidade e períodos de seca — para identificar condições favoráveis à proliferação dos insetos e ao aumento da circulação de vírus. >
A pesquisa foi focada principalmente no vírus que provoca a Febre do Nilo Ocidental (FNO), transmitido pelo mosquito do gênero Culex, comum nos Estados Unidos. Segundo os cientistas, mudanças no clima alteram o ciclo de reprodução dos mosquitos, a sobrevivência das larvas e até a velocidade de transmissão dos vírus, permitindo criar modelos capazes de antecipar períodos de maior risco epidemiológico.>
Na prática, o sistema cruza informações meteorológicas e ambientais com dados históricos de surtos e presença de mosquitos. Com isso, autoridades conseguem prever com semanas ou até meses de antecedência regiões mais propensas ao aumento de casos, o que pode ajudar no direcionamento de campanhas de combate aos insetos, aplicação de larvicidas e alertas à população.>
O mosquito que mais preocupa o Brasil por ser vetor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana é o 'primo' do Culex: o Aedes aegypti. Por causa dele, seis cidades baianas estão em situação de epidemia de dengue, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), obtidos pelo Conselho Estadual de Saúde (CES).>
Outro mosquito monitorado por autoridades brasileiras é o Culex quinquefasciatus, conhecido como muriçoca ou pernilongo comum, associado à transmissão de algumas arboviroses e que tende a proliferar em áreas urbanas com acúmulo de água e esgoto. Mudanças climáticas, ondas de calor e períodos de chuva intensa são considerados fatores que favorecem a expansão desses insetos.>
O vírus do Nilo Ocidental é considerado a doença transmitida por mosquitos mais comum e mais letal dos Estados Unidos. Desde os primeiros casos registrados em Nova York, em 1999, o país já contabilizou mais de 30 mil casos graves e cerca de 3 mil mortes. Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico para humanos >
A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, ou Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) é uma agência científica do governo dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento do clima, dos oceanos e da atmosfera. Considerada uma das principais referências mundiais em meteorologia e pesquisa climática, a instituição acompanha fenômenos como El Niño, furacões, ondas de calor e mudanças climáticas, além de desenvolver estudos voltados à previsão do tempo, preservação ambiental e prevenção de desastres naturais.>