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Quando a atividade física é a vilã: cirurgiã vascular revela como o exercício sem orientação pode ser um risco para a circulação

Dados do Ministério da Saúde mostram que quase metade da população adulta brasileira (47,5%) não se movimenta o suficiente

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 26 de maio de 2026 às 17:25

Praticar atividades físicas regularmente contribui para a saúde mental e reduz a ansiedade (Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock)
Especialista alerta que a escolha do exercício errado ou a execução inadequada podem transformar o remédio em veneno Crédito: Imagem: Drazen Zigic | Shutterstock

A relação entre a prática de exercícios e uma vida saudável está assimilada no imaginário popular. No entanto, para um sistema que muitas vezes passa despercebido até apresentar problemas — o vascular —, a escolha do exercício errado ou a execução inadequada podem transformar o remédio em veneno.

Dados do Ministério da Saúde mostram que quase metade da população adulta brasileira (47,5%) não se movimenta o suficiente. O cenário é ainda mais preocupante entre as mulheres e os idosos. Esse sedentarismo, segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, é um dos grandes responsáveis por problemas como a insuficiência venosa crônica e o surgimento precoce de varizes. O corpo humano precisa do movimento, mas é preciso saber como ele age por dentro.

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Para a médica cirurgiã vascular e fundadora do Instituto Alphaveins, Haila Almeida, a grande virada de chave na saúde vascular está em um músculo muitas vezes subestimado: a panturrilha. “Conhecida como o ‘coração periférico’, ela é a responsável por bombear o sangue de volta ao coração, um trabalho que as veias das pernas não conseguem fazer sozinhas. Cada contração da batata da perna comprime as veias profundas e empurra o fluxo venoso. Por isso, fortalecer essa região é uma questão funcional, e não só estética”, afirma a médica. A visita a um especialista, nesse momento, é o primeiro passo para entender quais atividades realmente beneficiam a circulação de cada pessoa.

Atividades de baixo impacto, como caminhada, natação, hidroginástica e ciclismo leve, estão entre as mais indicadas. A água, em especial, exerce uma pressão hidrostática que funciona como uma drenagem natural que alivia o peso nas pernas. A musculação bem orientada também entra na lista de aliadas, desde que respeite os limites do corpo. O problema surge com os exageros. Exercícios de alto impacto repetitivo, como saltos sucessivos, e a musculação com carga excessiva podem fragilizar as paredes venosas, elevar a pressão intra-abdominal e criar um ambiente perigoso para a formação de coágulos e o agravamento de varizes”, analisa a especialista.

Outro fator crítico, e muitas vezes negligenciado, é a hidratação. O sangue é composto majoritariamente por água. “Quando a reposição hídrica é insuficiente antes, durante ou depois do treino, o sangue se torna mais viscoso. A circulação fica lenta e o risco de trombose aumenta, principalmente em pessoas com predisposição. Por isso, a reposição de água e eletrólitos deve ser feita a cada vinte minutos em atividades mais longas”, acrescenta Haila.

Além do movimento e da água, a escolha do equipamento certo faz a diferença. O uso de meias de compressão graduada, quando prescritas por um especialista, pode melhorar o desempenho venoso durante a corrida ou para quem passa muitas horas em pé. Um bom tênis com amortecimento e roupas que não apertem a cintura ou a virilha completam o kit de proteção.

Para a cirurgiã, a atenção aos sinais do corpo é a maior sabedoria de um praticante de atividades físicas. “Dores na panturrilha que surgem durante a corrida e somem no repouso, inchaço persistente em apenas uma perna, sensação de queimação ou o aparecimento súbito de veias dilatadas são alertas que não podem ser ignorados. Insistir no treino com essas condições é um risco. O melhor esporte não é o mais intenso ou o mais famoso, mas sim aquele que a pessoa consegue manter com prazer, regularidade e, acima de tudo, sem lesões”, conclui a especialista.