Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Quase 40% das alunas faltam à escola por dor menstrual, aponta pesquisa

Estudo revela que cólicas intensas afetam rotina escolar, aprendizagem e até diagnósticos de doenças como endometriose

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 28 de maio de 2026 às 13:14

Levantamento foi feito em fevereiro deste ano com 2.551 estudantes – sendo 770 estudantes que menstruam
Levantamento foi feito em fevereiro deste ano com 2.551 estudantes – sendo 770 estudantes que menstruam Crédito: Douglas Lopes/Divulgação

A dor menstrual tem impactado diretamente a vida escolar de milhões de estudantes brasileiras. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Alana mostra que 37,1% das alunas que menstruam faltam às aulas mensalmente por causa de cólicas e outros sintomas relacionados ao ciclo menstrual.

O levantamento também aponta que seis em cada dez estudantes dos ensinos fundamental e médio relatam dores moderadas ou fortes, capazes de atrapalhar a rotina escolar e exigir uso de medicação.

Dor intensa durante a menstruação não é normal por Shutterstock

Os dados foram divulgados quarta-feira (27), às vésperas do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado nesta quinta (28). A pesquisa ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país.

Segundo o estudo, a cólica aparece como o principal fator que impede as estudantes de frequentarem as aulas, citada por 57,7% das entrevistadas. Também foram relatados sintomas como cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%), dor abdominal (20,1%) e medo de vazamentos menstruais (19,3%).

A pesquisa indica que as adolescentes chegam a perder cerca de dois dias de aula por mês devido aos sintomas menstruais. Para especialistas, o problema pode comprometer aprendizagem, desempenho escolar e permanência das meninas na escola.

A líder da iniciativa de Endometriose, Dor Pélvica e Saúde Menstrual do Instituto Alana, Sofia Reinach, afirma que a dor menstrual ainda é tratada como algo “normal” ou individual, o que dificulta acolhimento e diagnóstico precoce.

O estudo também aponta desigualdades raciais. Embora meninas negras relatem menos dores intensas, elas faltam mais às aulas do que estudantes brancas. Entre as alunas negras, 14,5% chegam a perder de dois a cinco dias de aula por mês por questões menstruais, contra 9,6% entre meninas brancas.

Os pesquisadores alertam que muitas adolescentes negras acabam naturalizando a dor por questões culturais e históricas, deixando de procurar ajuda médica ou apoio escolar.

Outro dado que chamou atenção foi a menarca precoce — primeira menstruação antes dos 11 anos — registrada em 65,2% das entrevistadas. No Nordeste, o índice chega a 45,5%. O estudo mostra ainda que meninas que menstruaram mais cedo tendem a relatar cólicas mais fortes.

Além das estudantes, professoras e gestoras escolares também relatam impactos da menstruação na rotina profissional. Entre as diretoras entrevistadas, 28,3% afirmaram sofrer com cólicas intensas, enquanto 16,9% já precisaram faltar ao trabalho por causa dos sintomas.

A pesquisa defende que escolas adotem políticas de saúde menstrual, com protocolos para faltas justificadas, acolhimento das estudantes e ampliação do debate sobre o tema dentro das salas de aula.

O levantamento também reforça que a naturalização da dor pode atrasar diagnósticos de doenças como a Endometriose, condição que afeta uma em cada dez mulheres e pode levar anos para ser identificada.

Para o Instituto Alana, discutir saúde menstrual nas escolas é uma forma de combater desigualdades e garantir melhores condições de aprendizagem para meninas e adolescentes.

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença ginecológica que acontece quando células parecidas com as do endométrio — tecido que reveste o útero — passam a crescer fora dele, principalmente na região pélvica. Essas células continuam reagindo aos hormônios do ciclo menstrual, o que pode provocar inflamações, dores intensas e formação de aderências.

Considerada uma das doenças mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva e pessoas designadas do sexo feminino ao nascer, a endometriose ainda enfrenta desafios no diagnóstico e no tratamento. Isso porque os sintomas costumam ser confundidos com “cólicas normais”, fazendo com que muitas pacientes demorem anos para receber acompanhamento adequado. Estudos apontam que o diagnóstico pode levar, em média, entre seis e sete anos.

Entre os principais sinais da doença estão cólicas menstruais fortes que não melhoram com analgésicos comuns, dor pélvica fora do período menstrual, inchaço abdominal antes e durante a menstruação, dor durante relações sexuais com penetração e alterações intestinais no período menstrual, como diarreia ou constipação. Também pode haver dor ao evacuar durante a menstruação.

Tags:

Mulher Saúde Ciclo Menstrual Menstruação