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Perla Ribeiro
Publicado em 26 de maio de 2026 às 15:25
O Hospital Sírio-Libanês anunciou que o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou sua primeira sessão de radioterapia para tratar um carcinoma basocelular no couro cabeludo (o tipo mais comum de câncer de pele) e recebeu a indicação de radioterapia para completar seu tratamento após a cirurgia, em abril, de retirada de tumor na pele. A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) explica que a radioterapia pode ser fundamental em alguns casos de câncer de pele, tanto no contexto adjuvante (após a cirurgia, como neste caso) ou pode, em outros casos, ser usada isoladamente. >
Diferente do melanoma, que é o tipo mais agressivo de câncer de pele, o carcinoma basocelular (assim como outros tumores cutâneos do tipo não melanoma, como o carcinoma espinocelular) tende a apresentar crescimento mais localizado, com baixa probabilidade de disseminação para outras partes do corpo.>
Câncer de pele
Já o melanoma, por sua vez, é o tipo mais agressivo e letal de câncer de pele, caracterizado pela alta capacidade de disseminação para outros órgãos. Ele se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele. Quando não diagnosticado e tratado no tempo adequado, o carcinoma basocelular pode evoluir com crescimento progressivo e infiltração de estruturas mais profundas da pele e de tecidos adjacentes. >
Embora raramente resulte em metástase, esse comportamento localmente invasivo pode levar a morbidades importantes, como ulceração crônica, dor, sangramentos recorrentes e comprometimento funcional e estético, especialmente em áreas como face e couro cabeludo. Em casos mais avançados, pode haver invasão de cartilagem, osso e até estruturas nobres, o que demanda abordagens mais extensas, com cirurgias de maior porte e, frequentemente, a associação com radioterapia para controle da doença e redução do risco de recidiva.>
Indicações de radioterapia>
A radioterapia pode ser utilizada em diferentes situações no câncer de pele, especialmente nos casos em que a cirurgia não é possível, seja por questões clínicas do paciente ou pelas características do próprio tumor. É o que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Wilson José de Almeida Jr. >
“Há muitos casos em que a cirurgia não é indicada, seja pela localização do tumor, por exemplo, em regiões da face onde o procedimento pode comprometer a estética do paciente ou em situações em que há risco de déficit motor ou outras condições de saúde associadas. Além disso, a radioterapia também pode ser utilizada em combinação com a cirurgia para aumentar o controle local da doença, principalmente quando existem margens positivas, mesmo que milimétricas, reduzindo o risco de recidiva, ou ainda em tumores mais profundos, que podem comprometer estruturas ósseas”, explica Wilson.>
A radioterapia também tem um papel importante em casos mais agressivos do câncer de pele, como quando a doença começa a se espalhar ao redor dos nervos, situação que aumenta o risco de o tumor voltar e avançar para regiões mais profundas da cabeça. “Nesses casos, sem o tratamento complementar da radioterapia, o risco de o tumor voltar pode chegar a 30% a 50%. >
Já com a radioterapia após a cirurgia, o controle local da doença costuma ficar entre 80% e 90%, além de reduzir o risco de progressão para regiões mais profundas”, explica Almeida Jr. Ainda segundo o especialista, quando o câncer retorna após uma ou mais cirurgias, o risco de uma nova recorrência pode ultrapassar de 40% a 50%. Com a associação da radioterapia complementar, porém, as taxas de controle local da doença podem chegar a aproximadamente 75% a 90%. Além disso, técnicas modernas de radioterapia permitem tratar lesões superficiais com alta precisão, preservando tecidos saudáveis ao redor da área acometida. >
“Hoje, utilizamos aparelhos com aceleradores lineares de fótons e elétrons. Quando a máquina possui elétrons, conseguimos concentrar o tratamento exatamente sobre a área da lesão, com uma margem de segurança muito adequada, entregando a dose correta na profundidade necessária. Em muitos casos, isso permite tratar apenas a pele, sem irradiar estruturas mais profundas, como o cérebro. Essa é uma evolução importante da radioterapia. A braquiterapia também é uma alternativa bastante precisa para tratar lesões mais superficiais”, explica.>
As opções da radioterapia >
Radioterapia com Modulação de Intensidade do Feixe (IMRT na sigla em inglês): permite a entrega precisa de radiação ao tumor, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis ao redor. Isso é especialmente benéfico em casos de lesões mais profundas em que é fundamental a preservação do tecido circundante.>
Radioterapia Estereotáxica Corporal (SBRT na sigla em inglês): entrega doses muito altas de radiação em um número limitado de sessões. Permite que o tratamento das metástases do melanoma em diversos locais como cérebro, pulmão, fígado e ossos seja feito em menos tempo e de forma mais intensa. >
Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT na sigla em inglês): envolve o uso de imagens em tempo real durante as sessões de radioterapia para garantir que o feixe de radiação seja direcionado com precisão ao tumor, reduzindo a influência do movimento do paciente.>
Radioterapia Adjuvante: pode ser usada em alguns casos após a cirurgia para melanomas ou tumores não melanoma em estágio avançado, visando prevenir recorrências locais.>
Braquiterapia: técnica em que a radiação é aplicada muito próxima ou diretamente sobre a área da lesão, permitindo tratar tumores superficiais com alta precisão e menor impacto nos tecidos saudáveis ao redor. >
Dados do câncer de pele>
Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os casos de câncer de pele não melanoma seguem em crescimento no Brasil e continuam sendo os tumores mais frequentes no país. No triênio 2023-2025, eram estimados cerca de 220 mil novos casos anuais da doença. Já para o triênio 2026-2028, esse número subiu para aproximadamente 263.280 novos casos por ano, demonstrando um avanço importante da incidência da doença na população brasileira.>
O câncer de pele não melanoma representa sozinho mais de 33% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. Apesar de apresentar altas taxas de cura quando identificado precocemente, Almeida Jr. alerta que muitos pacientes ainda chegam com tumores avançados. “ “É importante alertar que, ao identificar lesões diferentes no corpo, feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de aspecto ou manchas suspeitas, o paciente deve procurar imediatamente um dermatologista para avaliação. >
Mas além do diagnóstico precoce, também é fundamental reforçar as medidas de prevenção, que continuam sendo a principal forma de reduzir os casos de câncer de pele. O uso diário de protetor solar, evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade, utilizar chapéus, bonés, roupas com proteção UV e óculos escuros, principalmente em um país tropical com alta radiação solar como o Brasil”, finaliza. >