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Thais Borges
Publicado em 10 de maio de 2026 às 06:00
Uma simples rouquidão pode ser um dos sinais de um dos tumores mais comuns na população baiana: o câncer de boca. Em apenas cinco anos, houve um aumento de 24% nas internações em decorrência da neoplasia no estado - o número saiu de 1317 em 2021 para 1643 em 2025, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS. >
Além disso, até 2028, são esperados 1.120 novos casos de câncer na cavidade oral - o oitavo mais comum no estado. A projeção faz parte do estudo Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), e está incluída entre os mais de 42 mil novos diagnósticos de tumores na Bahia nos próximos três anos. >
Pela alta frequência, o câncer de boca é alvo do Maio Vermelho, campanha de conscientização pela prevenção da doença. O aumento de casos pode significar tanto o crescimento em si quanto o fato de que há mais acesso a diagnósticos hoje, como pondera a dentista Sandra Castro, professora do curso de Odontologia da Afya Salvador. >
“Mas tem a questão dos fatores de risco, como o aumento do álcool e o tabagismo, além das infecções por HPV e os hábitos de vida. Um detalhe importante é a questão do sol. A gente precisa fazer uso de protetor solar labial também, porque a incidência do Sol também pode ser um fator que estimule (o desenvolvimento do tumor)", explica. >
Segundo ela, é preciso lembrar que o câncer não costuma ter uma única causa específica, mas pode ser estimulado por fatores comportamentais ou infecções. >
Outro fator que tem sido considerado é o aumento do uso de cigarros eletrônicos - o vape. O cirurgião bucomaxilofacial Bruno Cantharino, mestre e especialista em implantodontia, lembra que há muitos estudos sobre o vape ainda em andamento, mas que o dispositivo não deve ser divulgado como seguro. >
“Ele expõe a mucosa oral a substâncias químicas, calor, nicotina e irritantes que podem causar inflamação crônica e potencialmente aumentar riscos”, diz ele, que é diretor da Clínica Encanthar e sócio-diretor da Avance Escola de Odontologia. >
Sinais>
Os primeiros indicativos do câncer de boca podem surgir com sintomas comuns, a exemplo da própria rouquidão, mas também de caroços, feridas na boca que não cicatrizam em até 14 dias e manchas brancas ou vermelhas. >
Outros aspectos, segundo o cirurgião bucomaxilofacial Bruno Cantharino, são dor persistente e dificuldade para mastigar, engolir ou movimentar a língua. >
Por isso, os dentistas têm um papel importante no diagnóstico, já que muitas lesões iniciais de câncer de boca aparecem em áreas comumente examinadas no consultório, a exemplo da língua, assoalho da boca, gengiva, bochecha, palato e lábios.>
“A principal mensagem para a população é: ferida na boca que não cicatriza em duas semanas precisa ser examinada. Diagnóstico precoce muda completamente o prognóstico”, enfatiza Cantharino.>
A prevenção, como destaca a professora de Odontologia Sandra Castro, da Afya Salvador, inclui medidas como evitar o fumar (vape ou cigarro), mas também o uso de álcool em excesso. >
"A alimentação tem que ser saudável, além de ter cuidado com a higiene oral. Além disso, tem a questão das infecções que podem influenciar no câncer, por isso a vacinação contra HPV também é um fator de proteção. Também é importante o uso do protetor labial e chapéu para evitar a exposição ao sol.>