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Perla Ribeiro
Publicado em 7 de junho de 2026 às 14:27
Uma mudança importante no calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) promete ampliar a proteção de milhões de brasileiros contra doenças potencialmente graves, como meningite, pneumonia e infecções de ouvido. A partir desse mês, o Ministério da Saúde começa a substituir a vacina pneumocócica 10-valente pela versão 20-valente, conhecida como VPC20. A nova vacina oferece cobertura contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo (Streptococcus pneumoniae), responsável por milhares de casos de infecções graves todos os anos.>
A atualização representa um avanço significativo na prevenção dessas doenças, especialmente entre bebês, crianças pequenas e pessoas com maior risco de complicações. A expectativa é que cerca de 2,4 milhões de bebês sejam imunizados anualmente com a nova vacina. O principal diferencial da VPC20 é a ampliação da cobertura contra variantes da bactéria que circulam no Brasil. Entre elas estão os sorotipos 19A e 3, atualmente associados a grande parte dos casos mais graves da doença pneumocócica no país.>
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Além disso, a vacina passa a incluir outros oito sorotipos relacionados ao aumento da resistência aos antibióticos e ao desenvolvimento de infecções invasivas, como meningite e pneumonia grave. Segundo especialistas, a mudança pode transformar o cenário da prevenção infantil. Estimativas apontam que a cobertura contra os sorotipos mais associados às formas graves da doença em crianças menores de cinco anos salta de apenas 3% para 77%.>
Doenças que podem levar à internação>
O pneumococo é uma bactéria que pode provocar diferentes tipos de infecção. Entre as mais conhecidas estão a pneumonia, a meningite pneumocócica e a otite média aguda, uma das principais causas de dor de ouvido na infância. Embora muitas pessoas possam carregar a bactéria sem apresentar sintomas, ela é facilmente transmitida, principalmente entre crianças, favorecendo a circulação da doença.>
Nos grupos mais vulneráveis, como bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas, as complicações podem ser graves e exigir internação hospitalar. Nos últimos anos, autoridades de saúde também observaram aumento dos casos de meningite pneumocócica no Brasil, reforçando a importância de estratégias mais abrangentes de vacinação.>
A ampliação da proteção não ficará restrita ao público infantil. A nova vacina também passa a ser oferecida pela Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE), destinada a pacientes com maior vulnerabilidade a infecções. Com a atualização, o número de condições de saúde contempladas foi ampliado.>
Além de pacientes oncológicos, pessoas vivendo com HIV e transplantados, passam a ter acesso à vacina indivíduos com doenças cardiovasculares, pulmonares, renais e hepáticas, além de pacientes com diabetes e casos de asma grave. Para muitas dessas pessoas, a infecção pneumocócica pode evoluir rapidamente e provocar complicações severas.>
Vacinação mais simples>
Outra vantagem da nova estratégia é a simplificação do esquema vacinal para determinados grupos. Crianças acima de cinco anos e adultos que se enquadram nos critérios de vacinação poderão receber dose única da VPC20, exceto em situações específicas definidas pelo Ministério da Saúde.>
Segundo especialistas, esquemas mais simples costumam aumentar a adesão da população e facilitar a proteção dos grupos mais vulneráveis. Para a líder médica da Pfizer no Brasil, Adriana Ribeiro, a ampliação da cobertura vacinal representa um passo importante na prevenção de doenças infecciosas graves. "Estamos falando da redução do risco de hospitalizações, complicações severas e mortes, especialmente entre crianças pequenas e pessoas com comorbidades", afirma.>
A expectativa das autoridades de saúde é que a nova vacina contribua para diminuir a circulação da bactéria, reduzir internações e fortalecer a proteção da população diante das mudanças observadas no perfil epidemiológico da doença no país. Com a chegada da VPC20 ao SUS, o Brasil passa a contar com uma das estratégias mais amplas de prevenção contra doenças pneumocócicas já implementadas no sistema público de saúde.>