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Xaropes para tosse entram no radar médico por risco cardíaco e reforçam alerta sobre automedicação

Após decisão da Anvisa, especialistas explicam por que substância usada há anos pode causar arritmias graves e por que o risco pode superar o benefício

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 5 de maio de 2026 às 17:36

Xarope para tosse
Xarope para tosse Crédito: Shutterstock

Xaropes para tosse, tradicionalmente vistos como soluções simples e inofensivas, passaram a levantar um alerta importante entre especialistas da área da saúde. O motivo: substâncias utilizadas há anos podem provocar efeitos adversos graves — especialmente quando usadas sem orientação.

Um dos exemplos é o clobutinol, presente em medicamentos indicados para tosse seca. A substância atua diretamente no sistema nervoso central, reduzindo o reflexo da tosse. No entanto, esse mecanismo também pode gerar impactos fora do alvo esperado. Segundo Isabel Christina Mignoni Homem, farmacêutica e docente do curso de Medicina do Centro Universitário FAPI, o risco está justamente nessa ação não específica. “Nenhum medicamento é totalmente seletivo. O clobutinol age no centro da tosse, mas também interfere em canais de potássio do coração, podendo prolongar o intervalo QT e favorecer arritmias graves”, explica.

Se a tosse durar mais de três semanas, é fundamental procurar avaliação médica  por Imagem: Elnur | Shutterstock

Essa alteração na atividade elétrica cardíaca pode evoluir de forma silenciosa. Em muitos casos, os sintomas só aparecem quando o quadro já apresenta maior gravidade. “Os sinais incluem palpitações, tontura, sensação de batimento irregular e desmaios. Em situações mais severas, pode evoluir para parada cardíaca e morte súbita”, alerta a especialista.

O médico otorrinolaringologista Henrique Wendling Sava, também docente do curso de Medicina na FAPI, destaca que o uso desse tipo de medicamento já vinha sendo questionado há anos na prática clínica. “Foi um medicamento bastante utilizado no passado, principalmente para tosse seca, mas deixou de ser recomendado porque apresenta mais risco do que benefício. Hoje existem alternativas mais seguras”, afirma.

Ele também chama atenção para um ponto importante: nem toda tosse deve ser suprimida. “Em casos de tosse produtiva, por exemplo, o uso de antitussígenos pode dificultar a eliminação de secreções e agravar o quadro, podendo evoluir até para complicações como pneumonia”. Outro fator que agrava o problema é a automedicação. Por serem facilmente acessíveis, xaropes para tosse costumam ser utilizados sem avaliação médica — o que aumenta os riscos.

Além disso, há o perigo das interações medicamentosas. O clobutinol pode potencializar efeitos cardíacos quando combinado com substâncias presentes em antibióticos, antidepressivos e até medicamentos para enjoo. “A orientação é clara: não utilizar esses medicamentos por conta própria e, caso já esteja em uso, interromper e procurar avaliação profissional”, reforça Isabel.

O cenário reforça a importância do acompanhamento médico mesmo em situações aparentemente simples. Isso porque a tosse, muitas vezes, é apenas um sintoma — e pode estar associada a condições mais complexas, como infecções respiratórias, asma ou outras doenças. Para os especialistas, a principal mensagem é de cautela: aliviar o sintoma não pode significar ignorar a causa. Porque, quando se trata de saúde, o que parece simples pode esconder riscos importantes.