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Sinal vermelho no governo Jerônimo, estrada símbolo do fracasso e promessa de palanque

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 1 de maio de 2026 às 05:00

Governador Jerônimo Rodrigues
Governador Jerônimo Rodrigues Crédito: Paula Fróes/CORREIO

A nova pesquisa Quaest caiu como um balde de água fria no núcleo duro do PT baiano. E não foi exatamente pela intenção de voto. Nos bastidores, lideranças petistas tratam o restante do levantamento como um desastre. A avaliação do governo reforçou uma percepção que já vinha sendo dita há meses: há um descompasso entre a aprovação medida e o humor real do eleitorado. Para caciques da base, até os números de aprovação, de 56%, estariam “inflados”. Isso porque a avaliação positiva foi apenas de 37%, enquanto 33% consideram regular e 25% negativa. Além disso, mais de 70% querem mudança e 34% querem mudar totalmente o governo, enquanto apenas 22% desejam a continuidade.

Rejeição

Outra leitura de caciques da base é que nem o fato de os governos estadual e federal estarem alinhados parece fazer efeito no humor da população. Além do forte desejo de mudança apontado na pesquisa, chamaram a atenção ainda a elevada rejeição de Jerônimo Rodrigues (PT) - 42%, 10 pontos acima de ACM Neto - e o potencial de voto do pré-candidato do União Brasil, que supera o atual governador.

Cavalo paraguaio

Se os dados para o governo provocaram um clima de preocupação, a parte da pesquisa sobre o Senado tratou de azedar de vez o humor. Havia convicção de que Rui Costa (PT) abriria uma vantagem folgada, o que simplesmente não se confirmou. Há quem diga que Rui não gostou nada do resultado, visto que imaginava uma liderança disparada, mas apareceu empatado com Jaques Wagner (PT). Talvez isso explique a irritação e agressividade de Rui em suas entrevistas recentes.

Símbolo do fracasso

A BR-242, no trecho que corta a Chapada Diamantina - uma das principais regiões turísticas da Bahia -, é o símbolo do fracasso da parceria entre o governador Jerônimo Rodrigues e o presidente Lula (PT). Na campanha de 2022, Jerônimo prometeu que resolveria todos os problemas da Bahia ao lado de Lula. O que se vê quatro anos depois é justamente o contrário. Os motoristas também convivem com a falta de sinalização, erosões e asfalto de péssima qualidade. Presidente entre 1926 e 1930, Washington Luís entrou para a história com a frase “governar é construir estradas”. Um século depois, Jerônimo e Lula mostram que “governar é destruir estradas”.

Promessa de palanque

Nos bastidores de uma das maiores cidades da Bahia, o clima entre o prefeito e Jerônimo azedou. O motivo é velho conhecido da política: promessa grande demais que não saiu do papel. O governo acenou com algo em torno de R$ 400 milhões em investimentos para o município. No discurso, um pacote robusto. Na prática, até agora, só papel timbrado, autorização e muita coletiva para foto. O prefeito, que no início comprou a narrativa e vestiu a camisa da parceria, hoje já trata o assunto com visível irritação. Inclusive, numa visita recente de Jerônimo à cidade, o prefeito mandou o vice para a agenda em recado claro de insatisfação. A aliados próximos, avisou que, se continuar assim, não vai apoiar a reeleição do governador.

Investida no Sindimed

A eleição no Sindimed-BA virou alvo de ofensiva do PT. O médico Tiago Almeida, filho do deputado Daniel Almeida (PCdoB), tenta na Justiça a todo custo travar o pleito que tem a atual diretoria, liderada por Rita Virginia, como favorita. Nos bastidores, a leitura é que o governo Jerônimo quer retomar o controle do sindicato justamente no momento em que a entidade endureceu a fiscalização sobre hospitais estaduais e federais e passou a cobrar, sem recuo, melhores condições para os médicos, postura que tem incomodado o Palácio de Ondina e Lula.

Lapada ao vivo

Um deputado da base de Jerônimo Rodrigues levou, como se diz no interior, uma verdadeira lapada durante entrevista de rádio nesta semana. Enquanto repetia críticas à prefeitura de Salvador, ele foi surpreendido pela participação de ouvintes que cobraram explicações e respostas concretas a problemas relativos ao governo do estado, sob controle do PT há quase 20 anos. Entre gaguejos e tentativas de mudar de assunto, o deputado terminou encurralado. Para piorar a situação, o final da entrevista descambou para um bate-boca com o apresentador, que reclamou ao vivo dele ter chegado com mais de 30 minutos de atraso na emissora. O que era para ser uma oportunidade de mídia, virou dor de cabeça.

Presente pós-Natal

Prefeitos que recentemente assinaram convênios com o governador Jerônimo Rodrigues levaram um susto ao perceberem no cronograma de trabalho que a primeira parcela dos recursos só será liberada meses à frente e em alguns casos somente depois das eleições de outubro, quando o valor eleitoral da promessa já estará esvaziado. Para muitos, conforme desabafo em reserva, a sensação é de terem caído numa armadilha, afinal de contas ficam sem obra para mostrar, sem ativo para pedir voto e ainda com receio de que, passada a eleição, o combinado acabe virando fumaça. Sem contar o temor de que recairá sobre eles a cobrança da população local pela obra prometida. Um deles ironizou que a situação se assemelha a ganhar um presente de Natal entregue no dia 26 de dezembro, quando a festa acabou.

Método

No rol das promessas anunciadas há quatro anos que ajudaram a eleger Jerônimo Rodrigues está a construção de uma creche no município de Banzaê. O convênio assinado em 14 de maio de 2022 ressurgiu esta semana no Diário Oficial do Estado no seu terceiro termo aditivo sugerindo uma alteração de “Meta Física” do projeto e estendendo sua vigência por mais 12 meses, a contar de 1º de julho deste ano. O caso ilustra bem o método petista de usar o dispositivo do convênio para prometer na primeira eleição e requentá-lo para o projeto de reeleição.

De novo?

Essa prorrogação indiscriminada de convênios tem gerado indignação até entre os aliados mais fiéis da base governista. Há casos de cidades, segundo publicado em Diário Oficial esta semana, que já acumulam 13 aditivos sem que a obra sequer tenha saído do papel. A principal queixa é que depois de ajudar a eleger Jerônimo, com Lula no Planalto e Rui Costa na Casa Civil, não se esperava enfrentar um cenário tão árido. “Não é possível que o principal ativo do PT nessa eleição é chamar a gente pra assinar convênio de novo”, protestou um governista.

Linguarudo

Um contrato de quase R$ 31 milhões firmado por um órgão do governo do estado para contratação de apoio técnico, operacional e administrativo tem sido assunto na rádio peão dos servidores estaduais. É que na prática a empresa vai contratar pessoas que vão reforçar a campanha de um pré-candidato governista. A história ganhou o corpo porque um desses trabalhadores espalha orgulhoso que fará campanha para um pretendente à Câmara dos Deputados.

Pé frio

Línguas maldosas trataram de colar no governador Jerônimo Rodrigues a pecha de “pé frio” após a derrota do governo no Senado na tentativa de emplacar Jorge Messias no STF. Coincidência ou não, o baiano passou a quarta-feira (29) circulando pela Praça dos Três Poderes, com agenda no Executivo e até no próprio Supremo.