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Quase 5 mil multas já foram aplicadas com uso de câmeras de ruas; Av. Sete é destaque

Em toda Salvador, existem 305 câmeras que monitoram a cidade 24 horas por dia

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 29 de julho de 2016 às 06:02

 - Atualizado há 3 anos

“São ‘só’ cinco minutinhos para descarregar isso aqui”. “Não vai atrapalhar, é rápido”. Em todo lugar, inclusive em vias movimentadas, como a Avenida Sete de Setembro, a turma do ‘jeitinho’ não perde a oportunidade de dar um mau jeito no trânsito. Mas quem acha que na ausência de um agente da Transavaldor pode parar em fila dupla, pois “não tem ninguém olhando”, se ligue: uma hora o envelope com o logotipo do órgão de trânsito vai chegar em sua casa, comunicando a infração por estacionamento irregular. Mas tinha alguém lá, afinal? Olhe em volta, amigo. Em toda Salvador, existem 305 câmeras que monitoram a cidade 24 horas por dia — tanto para segurança quanto para o trânsito. E, de outubro para cá, já foram registradas 4.724 infrações, graças a esses equipamentos. A Avenida Sete é a campeã das infrações: desse total, 1.603 notificações aconteceram lá, o que significa 34% do universo de multas por câmeras. Câmera monitorada pela Transalvador para observar comportamento de motoristas no trânsito da Av. Sete(Foto: Marina Silva/CORREIO)Logo em seguida vem a Avenida ACM, com 987, e a Avenida Joana Angélica, em  Nazaré, com 777. “As infrações que mais vemos por videomonitoramento são as de estacionamento irregular, sobre o passeio ou em fila dupla e conversão irregular. Na Avenida Sete, o que mais tem é isso, seja em fila dupla, em placa, em local de carga e descarga, em ponto de táxi...”, lista o supervisor do Núcleo de Operações Assistidas (NOA) da Transalvador, Marcos Navarro. Mais especificamente, foram 4.548 por estacionamento irregular e 103 por conversão em local proibido em toda a cidade, desde a inauguração do NOA, há dez meses.Multa não é objetivoAinda assim, o número não é tão alto, se comparado à quantidade de infrações registradas todos os dias — são  2,3 mil notificações diárias em Salvador. Isso porque, segundo Navarro, o objetivo do NOA não é multar condutores. “O núcleo funciona 24 horas monitorando a cidade para atender as situações e atuar também aqueles casos que comprometem a fluidez, onde tem risco de acidente de trânsito”, cita.Uma das câmeras da Av. Sete que ajudou a registrar 34% das infrações(Foto: Marina Silva/CORREIO)Só na Avenida Sete, são pelo menos três câmeras: uma em frente à agência da Caixa, outra na esquina com a Rua do Rosário e a última na Praça da Piedade. Foi na do Rosário que o CORREIO encontrou o vendedor de coco Edson Pena, 45 anos, estacionando seu Fiat Strada carregado de cocos em fila dupla, para entregar a mercadoria. Ele ligou o alerta e desceu. Sabia que estava na mira da câmera? “Sim, e já fui multado duas vezes este ano por câmera”, admite. Mas se defende: a única vaga para carga e descarga por ali estava ocupada.SegurançaPara quem trabalha por ali e precisa descarregar produtos é difícil. A comerciante Rita Silva, 45, alugou uma garagem para seu carro pessoal, mas quando precisa descarregar material, chega mais cedo. “Sei que a câmera multa. Mas tenho cuidado, porque já não sou boa motorista, então não posso ficar fazendo besteira. Acho que é bom ter esse monitoramento pra nossa segurança”, opina.Mas quem não costuma frequentar a Avenida Sete nem sempre imagina o alcance das câmeras. Quando o aposentado Júlio Nascimento, 76, foi abordado pela reportagem, já estava com o carro em fila dupla há alguns minutos. “Estou esperando a patroa, que disse que ia descer rapidinho. Ela não acredita quando eu falo (que a câmera flagra), fica pensando que é má vontade minha”, observou. Na Rua da Mouraria, onde uma câmera na esquina monitora também a Joana Angélica, o motorista Djavan Silva, 29, exibia a nota fiscal do pagamento de nove multas — sete por estacionamento, flagradas por câmeras. Tinha da Avenida Sete, na Carlos Gomes, na Joana Angélica... Mas e ali na Rua da Mouraria, onde também estacionou em fila dupla para fazer carga e descarga? “Aqui, não sabia que também tinha isso. Trabalho com carga e descarga e é difícil encontrar vagas para isso. Mas se chegar dessa, vou recorrer. Estou dentro do carro parado. Não estou estacionado”, justificou. No entanto, segundo o Código de Trânsito (CTB), estacionar significa dizer que o carro ficou parado por um tempo maior do que o necessário para embarque e desembarque de passageiros. Além disso, qualquer operação de carga e descarga durante qualquer tempo é considerada estacionamento.O motorista Djavan Silva, que pagou multas após ser pego por câmeras (Foto: Marina Silva/CORREIO)Núcleo registra apenas parte dos flagrantesNão são as câmeras monitoradas pelo Núcleo de Operações Assistidas (NOA) da Transalvador “que multam”, identificando imediatamente os condutores, como os radares. Na verdade, as imagens são enviadas ininterruptamente ao NOA, que é a central responsável por identificar as infrações, desde sua inauguração, em outubro passado. As câmeras são da Secretaria da Segurança Pública (SSP), do governo do estado, e da Companhia de Governança Eletrônica (Cogel), órgão ligado à prefeitura. 

Por turno, 20 agentes se revezam para acompanhar as telas. Mas, como pondera o supervisor Marcos Navarro, a função do NOA não é identificar as infrações e gerar multas. O monitoramento serve para acompanhar o trânsito e tentar garantir fluidez e segurança. Só que, durante o trabalho, eles acabam identificando os problemas — e aí não dá para ignorar. “A nossa visão é buscar melhorar a qualidade de vida na cidade. (As infrações) são situações que acontecem e a gente está atento porque atrapalham, colocam em risco e tiram direitos do cidadão”, cita. Vendedor de coco para carro em fila dupla para entregar mercadoria, na Av. Sete: já foi multado duas vezes(Foto: Marina Silva/CORREIO)No entanto, não são todas as situações que acabam sendo registradas. Para evitar erros, eles evitam autuar casos que precisem de medidas exatas, por exemplo. Mas dá para ver, por outro lado, até quando um motorista não está usando cinto de segurança ou quando utiliza o celular. “Mas não é comum, porque a gente só consegue ver se a câmera estiver no zoom aproximado. Não é nosso cotidiano, porque costumamos ver a câmera de forma a conseguir ver a fluidez”, diz.