Confusão marca concurso para PM e bombeiro em escola na Pituba

salvador
20.08.2017, 16:24:45
Atualizado: 20.08.2017, 20:39:31
Candidatos que foram impedidos de fazer a prova, e registraram um boletim de ocorrência na 16ª Delegacia (Pituba) (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Confusão marca concurso para PM e bombeiro em escola na Pituba

Candidatos questionam falta da exigência da cópia da identidade no Cartão de Convocação; muita gente foi impedida de entrar enquanto outras acessaram o local de prova sem a posse da xerox

O sonho de entrar para os quadros da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) ou do Corpo de Bombeiros Militar (CBM-BA) através de um concurso público reservou uma prova inesperada de velocidade e paciência para parte dos candidatos que realizariam o exame numa escola da Pituba, em Salvador, na tarde deste domingo (20). Em toda a Bahia, 15.338 candidatos estavam inscritos para fazer a prova e concorrer a uma das 90 vagas - 60 para oficial da PM e 30 para bombeiro militar.

Comunicados de que deveriam estar em posse da cópia do documento de identificação, poucos minutos antes da liberação dos portões para entrada, no Colégio Estadual Raphael Serravale, a grande maioria dos candidatos deixou a unidade às pressas em busca de um local para fazer reprodução da carteira de identidade. No meio da confusão, houve discussão e até gente passando mal.

Weverson correu até o Shopping da Bahia para conseguir tirar a cópia do documento, mas não conseguiu fazer a prova (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

"Não tinha nada no edital que falasse da necessidade da cópia deste documento, nem mesmo no cartão de identificação. Mais de 100 pessoas correram na hora para tentar fazer a xerox. A gente se desperou. Peguei a moto e fui no Shoppping Itaigara, Paseo e só fui conseguir fazer a cópia no Shopping da Bahia", conta o concurseiro Weverson Carneiro.

Os portões do local foram abertos ao meio-dia e fechados às 12h50. Esse seria só metade do problema. Depois de retornarem com a cópia do documento, um grupo de mais de 20 pessoas foi impedido de entrar para fazer a prova, enquanto outra parte que permaneceu na entrada do colégio, após a debandada, teve o acesso liberado, mesmo sem a cópia.

"Quando cheguei aqui, fiquei sabendo que 12h30 a entrada tinha sido liberada sem a cópia. Levei até o documento de outro candidato que ia prestar o concurso e ele conseguiu entrar e fazer a prova sem identidade e sem xerox. Como pode isso? Foi um desgaste todo desse para nada", ressalta Weverson. 

Os candidatos que se sentiram lesados registraram um boletim de ocorrência na 16ª Delegacia (Pituba). Ele foi avisado pela polícia que a delegada titular Maria Selma deve abrir o procedimento nesta segunda-feira (21) e encaminhar o inquérito para a Justiça.

A graduada em Direito Jaine Peralva veio do município de Teixeira de Freitas, no Sul do estado, só para prestar o concurso e foi uma das candidatas que prestaram queixa.

"Eu passei mal e cheguei a desmaiar na correria. Vim de longe para fazer a prova e, só de passagem, gastei R$ 500", conta Jaine.

"A gente fica com o psicológico abalado por conta da prova em si e ainda vem e anulam o nosso sonho. Uma coisa é você perder pelo desempenho no concurso, outra é ser impedidido de participar por conta da falta de organização", completa a concurseira. 

O edital que consta no site da Consutec está datado em 14 de agosto, apenas uma semana antes da prova. Nele consta, no item 1.3.4 (página 2), a obrigatoriedade da cópia de identificação junto com o documento original (cuja data de expedição não seja maior que 5 anos), o cartão de convocação, uma foto 3x4 datada a partir de 2015 e impressa em papel fotográfico. A única retificação do certame foi registrada em 24 de maio, referente a mudanças no conteúdo programático. Nas instruções do cartão de convocação, inclusive, só é expressa a necessidade da foto e documento de identificação original.

Mais confusão
Por outro lado, até então aliviados porque conseguiram ter acesso ao local de realização da prova, ainda que sem a cópia do documento, outros concurseiros contam que foram retirados da sala com alegação de problemas com a documentação. "Já estava sentado, esperando a prova começar, como todos os outros candidatos que entraram sem a xerox. Só que antes de entregar a prova, me chamaram e pediram que eu me retirasse porque estava sem a cópia. Aí eu disse que só saía se eles também tirassem todo mundo. Foi aí que o cuidador responsável pela sala disse que ia chamar um policial para me tirar. O constrangimento foi grande", relata o professor Ronaldo Almeida. 

"Minha identidade estava com data de expedição em 2011, mas eu apresentei a minha carteira de habilitação que é de 2017, e fui tirado quando já tinha assinado a folha e colocado a digital no cartão", lamenta o músico Ramon Arcanjo, que também foi expulso da sala.

O CORREIO entrou em contato com a assessoria da PM, que informou que o processo seletivo é de responsabilidade da Consultec, empresa contratada para organizar o concurso. A reportagem, no entanto, não conseguiu contato com a empresa que realizou o exame, nem mesmo com o responsável pela aplicação das provas no colégio Raphael Serravalle, que se recusou a falar. 

Concorrência alta
A seleção pública é realizada para o preenchimento de 60 vagas para o cargo de oficial da PM. Além delas, outras 30 vagas estão em disputa para candidatos que, no momento da inscrição, optaram pela carreira de bombeiro militar. A concorrência calculada em razão da quantidade de inscritos e do número de vagas disponíveis aponta 215/1, para os cargos na PM-BA, e 80/1 para as vagas no Corpo de Bombeiros Militar.