Livro registra memórias de Félix Mendonça

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13.09.2017, 12:08:00
Atualizado: 13.09.2017, 12:17:34
Fidel Castro, ACM e Félix Mendonça, em 1998 (Reprodução)

Livro registra memórias de Félix Mendonça

Cristina Mendonça, Mathias, filha do ex-deputado, é a autora de Félix Mendonça - Um Contador de Histórias, que será lançado nesta quinta-feira

Desde criança, a baiana Cristiana Mendonça Mathias, 57 anos, ficava atenta às histórias que animavam as rodas de conversas nos eventos de sua família. Os casos, sempre bem humorados, eram repletos de personagens curiosos.

Naturalmente, os que mais lhe interessavam eram aqueles envolvendo seu pai, Félix Mendonça, que foi prefeito de Itabuna, além de deputado federal e estadual, hoje com 89 anos. “Eu disse a ele que a gente precisava registrar essas histórias para que as próximas gerações da família as conhecessem”, diz Cristiana, autora de Félix Mendonça - Um Contador de Histórias (Caramurê/R$ 50/256 págs.).

O livro, uma compilação com cerca de 60 daqueles casos, será lançado quinta-feira, às 18h, no salão de festas da Igreja da Vitória. Cristiana, que é engenheira civil atuante, estreia na literatura. Mas ela adianta que não teve pretensão de realizar uma biografia do pai: “Nem tenho a intenção de contar segredos dos bastidores políticos que possam comprometer alguém. Ele brinca dizendo que um livro assim pode até sair, mas só depois que ele morrer”, ri.

As histórias são sobre os mais diversos assuntos: além das lembranças políticas, há registros da adolescência, da infância e também da atuação de Félix como engenheiro. Algumas envolvem personalidades da política baiana, como Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e J.J. Seabra (1855-1942). Há também políticos de outros estados, como Fernando Gabeira, que foi colega de Félix na Assembleia Constituinte, nos anos 80.

Félix Mendonça está com 89 anos de idade (foto: divulgação)

O caráter bem humorado de Félix está retratado em histórias como Superstições Cariocas. Numa viagem ao Rio de Janeiro, o ex-deputado pregou uma peça em um motorista de táxi, que dizia duvidar do candomblé. “Meu pai, por acaso, havia visto, dois dias antes, otaxista numa pizzaria. Como meu pai ouviu a conversa do motorista com outra pessoa, sabia detalhes sobre sua vida”, conta Cristiana. 

No carro, Félix não perdeu a chance de fazer uma brincadeira e, para a surpresa do taxista, começou a revelar detalhes sobre a vida daquele homem. “O taxista ficou arrepiado com o ‘poder’ que meu pai tinha de adivinhar aquilo tudo”, diverte-se Cristiana.

Sensibilidade
Na história O Funcionário exemplar, Cristiana destaca a sensibilidade de Félix, que, quando prefeito de Itabuna, teve a coragem de nomear como guarda municipal uma figura conhecida como Janjão, que, sabidamente, tinha clara limitação intelectual. 

“Mas Janjão provou nos anos seguintes que era um funcionário público muito dedicado, que jamais faltava ou chegava atrasado ao trabalhado. Foi responsável pela iluminação pública da cidade e não deixava um poste sem lâmpada”, diz Cristiana.

A autora diz que, embora ela mesma tenha escrito o livro, é o pai que será a estrela do lançamento quinta-feira. “Ele vai estar lá para receber os amigos e autografar os livros”, diz a autora, que afirma ter sido uma espécie de ghost-writer. O valor arrecadado com as vendas será doado à Paróquia Nossa Senhora da Vitória.