Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Milena Hildete
Publicado em 6 de outubro de 2017 às 22:00
- Atualizado há 3 anos
O Ministério Público do Estado (MP-BA) entrou com uma ação na Justiça solicitando a cassação dos contratos firmados entre a Agerba (agência estadual que regula os serviços de transporte) e as empresas responsáveis pela travessia Salvador- Mar Grande. São elas: CL Empreendimentos Ltda e Vera Cruz Transportes Marítimos Ltda. >
Na tarde desta sexta-feira (6), a promotora Joseane Suzart, autora da ação, apresentou o resultado do inquérito que apurou, durante um mês, a responsabilidade sobre a tragédia de Mar Grande, acidente com a lancha Cavalo Marinho I, da empresa CL, que resultou na morte de 19 pessoas e deixou uma adolescente desaparecida, na Baía de Todos os Santos, no dia 26 de agosto. Nesta sexta-feira (6), um novo incidente envolvendo uma lancha da CL demonstrou que o sistema continua a oferecer risco aos usuários (ver abaixo).>
Na ação civil pública, Joseane também solicita um novo processo licitatório para seleção de novas empresas que atendam aos padrões legais e técnicos necessários à realização do transporte. “As informações do inquérito, finalizado no dia 29 de setembro, apontam falhas nestas embarcações. As irregularidades encontradas se apresentam no aspecto estrutural e funcional. Elas revelam que os contratos devem ser cassados. Com a investigação, nós observamos, por exemplo, que a maior parte das lanchas não dispõe de seguro obrigatório”, indica a promotora. >
O contrato firmado entre a Agerba e a CL Transporte é o de n° 02/2012; já o da Vera Cruz é o 03/2012. “Geralmente, esses contratos são longos, mas essas embarcações não têm condições de continuar transportando vidas”, comenta Joseane.>
No documento, ela pede ainda uma medida liminar para suspender temporariamente as empresas responsáveis pela travessia. “Essas lanchas vão passar por um estudo pericial. A gente continua insistindo nessa suspensão”, completou a promotora. >
Realizado pela 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor, o inquérito aponta precariedades, inadequações e questiona os valores das embarcações. Desde 2006, o MP-BA apura a qualidade dos serviços prestados por essas empresas. Essa é a quarta ação que a promotora move em relação às concessionárias. A primeira foi ajuizada em 2006. A segunda, que é de 2014, pede a melhoria dos serviços e redução da tarifa nos transportes da embarcação. Já a última, feita no último dia 29 de agosto, solicitava a suspensão temporária das embarcações. >
Infrações gravíssimas Segundo a promotora, com a tragédia, foi comprovado um conjunto de infrações gravíssimas como a não realização do controle do número de usuários que adentram as embarcações; a ausência de coletes salva-vidas em estado regular; o desrespeito ao direito à informação dos consumidores; o dever de assistência e socorro para os usuários, além de condições higiênicas inapropriadas.>
Segundo a promotora, os contratos são violados flagrantemente e as obrigações não são respeitadas pela CL Transporte, pela Vera Cruz e pelos órgãos envolvidos com a travessia. "As provas são satisfatórias e suficientes. Temos um relatório subscrito pela Rede Consumo Seguro e Saúde, que congrega órgãos federais, estaduais e municipais. Além disso, foi constatado que as irregularidades acarretam responsabilidades solidárias não somente das empresas prestadoras do serviço como do poder público e do ente associativo, denominada de Astramab", disse a promotora.>
Sobre a Agerba, ela destacou a falta de fiscalização e acompanhamento das atividades. "Em ambos os contratos, tem obrigações referentes à Agerba, como fiscalizar, acompanhar as infrações detectadas... Nós pedimos, durante cinco anos, a cópia dos autos de infração da Agerba e só recebemos quatro autos de infração, referentes a desembarque não autorizado. Ou seja, a Agerba não tem controle da quantidade de pessoas. Há falta de fiscalização e acompanhamento", considera Joseane Suzart. >
A Agerba informou que irá aguardar a decisão judicial sobre o pedido feito pelo MP-BA. Já a CL Transporte disse que não foi notificada e, por conta disso, não vai se pronunciar. >
O presidente da Astramab, Jacinto Chagas, afirmou que também não foi notificado e não se posicionou. O CORREIO tentou contato com a empresa Vera Cruz, mas ninguém foi encontrado.>
Audiência de conciliação Na próxima terça-feira (10), uma audiência de conciliação entre o MP-BA, a CL Transporte, o Centro Náutico da Bahia e a Agerba vai discutir o valor da tarifa do terminal marítimo de Salvador, no Comércio, e apontar melhorias na estrutura das embarcações e prestação de serviço.>
A sessão será presidida pelo juiz substituto Adriano Augusto Gomes Borges, da 8ª Vara da Fazenda Pública. Durante coletiva nesta sexta, a promotora Joseane Suzart adiantou o posicionamento do MP-BA: “É impossível que exista qualquer tipo de conciliação”.>
Fogo na lancha Na manhã desta sexta (6), um novo incidente voltou a assustar os usuários da travessia entre Mar Grande e Salvador. Usuários da lancha Costa do Sol, da CL Transporte, se depararam com um princípio de incêndio no barco. A situação ocorreu no mesmo horário do acidente com a Cavalo Marinho I. >
No vídeo, enviado por um leitor, o cinegrafista diz: "O motor acaba de pegar fogo aqui. Já tem um pânico instaurado e as pessoas já estão colocando colete salva-vidas". Assista.>