Policiais federais fazem buscas em gabinete do deputado estadual Marcelo Nilo

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13.09.2017, 11:17:00
Atualizado: 13.09.2017, 19:26:15
(Foto: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO)

Policiais federais fazem buscas em gabinete do deputado estadual Marcelo Nilo

Político é alvo da Operação Opinião, deflagrada nesta quarta-feira (13)

Policiais federais fizeram buscas no gabinete do deputado estadual Marcelo Nilo (PSL) na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (AL-BA), na manhã desta quarta-feira (13). Os agentes chegaram ao gabinete de Nilo antes das 8h e saíram do local por volta das 10h20. 

No gabinete, que estava fechado, os agentes procuraram e analisaram documentos a portas fechadas. Segundo a equipe de segurança do deputado, que estava do lado de fora, Marcelo Nilo estava no local, acompanhado de um advogado e de uma assessora de imprensa. 

Policiais federais fizeram buscas no gabinete do deputado; jornalistas foram impedidos de acompanhar o procedimento
Foto: Tailane Muniz/CORREIO)

Às 10h20, seis policiais federais deixaram a AL-BA em duas viaturas descaracterizadas. Ainda nesta quarta-feira, Nilo deve fazer um pronunciamento sobre o caso. A previsão é que seja às 14h30, na própria Assembleia. 

Operação Opinião
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Eleitoral (MPE). As buscas também acontecem na Avenida Cardeal da Silva e no bairro do Horto Florestal, onde mora o político. Além de deputado, Nilo, que tem 62 anos, é engenheiro civil. Ele foi presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) por cinco vezes e está no sétimo mandato como deputado estadual.

De acordo com o MPE, a Operação Opinião tem o objetivo de cumprir sete mandados de busca e apreensão em endereços de Salvador, dentre os quais na residência do deputado e no seu gabinete na Assembleia Legislativa, no CAB. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE/BA), com base em representação formulada pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE/BA), em procedimento que investiga o crime de falsidade eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral, envolvendo também a empresa Bahia Pesquisa e Estatística Ltda – Babesp.

"Os fatos são objeto de investigações em andamento tanto no Ministério Público Eleitoral quanto na Polícia Federal, que buscam apurar se o deputado Marcelo Nilo prestou informação falsa à Justiça Eleitoral, havendo indícios de que ele seria o controlador de fato da Babesp e que utilizaria a referida pessoa jurídica para contabilização fraudulenta de recursos utilizados de maneira ilegal em campanhas politicas, o que se costuma chamar de 'caixa 2'. Além disso, há suspeita de possível manipulação do resultado das pesquisas eleitorais divulgadas por aquela empresa", afirmaram a PF e o MPE, em nota.

Segundo o MPE, os alvos da operação foram os endereços residenciais e profissionais do político; de seu genro Marcelo Dantas Veiga; do sócio da Babesp Roberto Pereira Matos; e a sede da empresa Leiaute Comunicação, na Avenida Tancredo Neves. A operação visa apreender documentos, papéis, registros e dados arquivados em equipamentos de informática que possam contribuir com as investigações.

"Cerca de 30 policiais federais participaram da ação e dois membros da Procuradoria Regional Eleitoral acompanharam as buscas na Assembleia Legislativa e no endereço residencial do deputado. O nome da operação, Opinião, é uma referência à empresa investigada, cujo objeto seria a realização de pesquisas de opinião", destacam o MPE e a PF.

Em nota divulgada no final da tarde, a Leiaute Comunicação negou já ter realizado campanha política para Nilo e justificou que trabalha com diversas empresas fornecedoras de pesquisa de opinião, inclusive com a Babesp. “A Leiaute tem total interesse em fornecer informações e documentos que possam elucidar os fatos de forma transparente e o mais brevemente possível, para que possamos seguir em frente com a mesma postura ética de sempre”, comenta o comunicado, que afirma ainda que a empresa estará sempre à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento necessário.

O CORREIO tentou contato com o deputado Marcelo Nilo, a Babesp, Marcelo Dantas Veiga e Roberto Pereira Matos, mas até o momento ninguém retornou o contato.