Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Thais Borges
Publicado em 8 de dezembro de 2025 às 05:00
Assim que Blue chega para trabalhar, o clima na empresa muda. Ele bate ponto das 9h às 17h, interage com funcionários e participa das rondas nos diferentes setores - da copa ao administrativo, da área de convivência ao setor tático. Mas Blue não é um colaborador comum: o rapazinho é um cão da raça American Bully, com seus cinco meses de idade e 17 quilos de músculo e formosura. >
Há pouco mais de um mês, ele foi adotado pela Blueartes, empresa baiana de cenografia e comunicação visual. Desde então, a rotina mudou. A assistente administrativa Mara Paiva, 45 anos, logo sentiu a diferença no aconchego no local. “Apesar de ter a fama de um cachorro bravo, ele é muito dócil. Consegue interagir com cliente, com quem visita, com todo mundo”, diz ela, que tem um gato. “Gosto de cachorro, mas moro em apartamento”, explica. >
Conheça Blue, o cachorro que virou ‘funcionário’ e conquistou uma empresa em Salvador
Empresas como a Mars e a Nestlé são exemplos famosos de grupos que adotaram uma política pet friendly - ou seja, em que pets podem frequentar o trabalho dos tutores. Na sede da Amazon americana, em Seattle, segundo a própria marca, são mais de 10 mil cachorros que frequentam o ambiente todos os dias. No entanto, no Brasil, as políticas de ‘pets at work’ (pets no trabalho) ainda são menos comuns, principalmente quando não são empresas do setor pet. Em Salvador, o cenário é ainda mais raro - em especial, quando o animal não é dos funcionários, mas da própria companhia. >
“Ele traz uma forma de carinho para todos, com um ambiente de trabalho mais agradável. As pessoas procuram ser mais gentis umas com as outras. Quando a gente está com um nível de estresse mais alto, Blue consegue melhorar o humor de todos. Já tinha ouvido falar disso, mas não imaginava que seria possível num ambiente nosso, que é de produção, tem aquela loucura”, admite Mara. >
O cão Blue chegou à empresa através de um prestador de serviços que tem cachorros da raça. Os pets tiveram uma ninhada, mas o dono não queria vendê-los. "Ele se apegou ao cachorro, mas já estava ficando com uma fêmea e não queria dar para qualquer pessoa. Queria deixar com pessoas que ele confiasse e que tivesse acesso ao animal de vez em quando", conta o sócio da Blueartes Tiago Bertolazzi. >
Um dos três sócios, Victor, tem uma filha de quatro anos e isso fez com que o trio, que sempre gostou de cachorros, decidisse adotar o mocinho. Mas Tiago concorda que, desde que Blue chegou à empresa, o ambiente de trabalho mudou. Uma das 25 colaboradoras da empresa, inclusive, tinha um trauma de cachorros, mas veio contar à equipe que, aos poucos, estava superando o medo. >
“A raça dele é definida por serem cachorros com um coração gigante e um corpo musculoso. Eles têm essa capacidade de modificar as pessoas. Depois que Blue chegou aqui, você começa a conhecer o outro lado, que não apenas o profissional, das pessoas”, avalia o empresário. >
Como ainda é um bebê, Blue vai dormir todos os dias na casa de Tiago. Mas, uma vez que for um doguinho crescido, deve realmente morar na sede da empresa. Como a raça é conhecida por ser de cães de guarda, a ideia dos sócios é que, quando adulto, possa também fazer esse papel. Um American Bully adulto pesa cerca de 45 quilos. >
Desde o início, Blue não fica na coleira e permanece solto circulando. Segundo Tiago Bertolazzi, ele é tratado como um integrante do time. >
“Nós somos uma empresa muito humanista, que vê muito pelo lado do bem-estar. Muito mais do que um cão de guarda que porventura Blue possa se tornar, a gente entendeu que ter um animal fazendo parte desse cotidiano ajuda a colaborar com essa visão. Ele participa muito das dinâmicas e está integrado no espaço de trabalho, do financeiro ao estúdio de impressão”. >