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Moyses Suzart
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 05:00
Com todo o respeito a essa mulher de 53 anos e três filhos nas costas, mas a bicha tá é gostosa, viu! Provavelmente, este pobre jornalista vai dormir no sofá durante um bom tempo, mas ver Ivete Sangalo de perto, aquele suco de confusão mais doce que pescoço perfumado de alfazema, é um evento à parte de quem quer ver o verão pegar fogo. Desde que anunciou oficialmente sua desistência do status de casada, há exatos 45 dias, a solteira mais linda abaixo da linha do Equador está diferente. Não apenas mais bonita, mas com um semblante altamente caótico, um ar de poderosa, um corpo com menos gordura localizada que lugar pra sentar no Porto da Barra e topando ir até em festa de aniversário de boneca, como a solteirice tem que ser. Se este verão de 2026 precisar de uma representante legal, esta é Ivete Maria Dias de Sangalo. >
É preciso que cada um veja a escultura de perto, não adianta só ver em foto, não. Na última segunda-feira (5), no ensaio de Xanddy Harmonia, bastou Ivete entrar no palco para o povo começar a agonia. “Que zorra é essa, véi? Como essa mulher conseguiu ficar mais gostosa do que já era?”, disse Silvana Matos, sobre o vestidinho que Ivete vestia. “Ela não lavou esse vestido não, foi? Tava aqui ontem com ele e só veio de novo com ele para matar a gente de inveja. Mas até a inhaca dela deve ser cheirosa. A bicha tá boa, viu, ela derruba qualquer um aí, não tem homem na face da terra pra dar conta”, completou, enquanto Ivete cantava Energia de Gostosa. >
De fato, quem terá a envergadura moral para conseguir administrar essa deusa da confusão? Desde a separação, entretanto, Ivete não fala em pegação. Sua mudança está perceptível no corpo e, talvez, na alma. Como ela conseguiu virar essa chave assim é que se tornou o mistério deste verão. Sua mudança corporal é o mais perceptível. Aí vem a indagação: como esta criatura conseguiu turbinar o corpo neste curto espaço de tempo, sem a consulta particular do seu ex-marido, nutricionista da mais alta patente? O próprio público da cantora especula milhões de coisas. >
“Tu viu como ela está malhando? Basta acompanhar o Instagram de Veveta. É assim, amigo. A fila anda, ficamos solteiras e metemos a skin de gostosa para o retorno ao mercado da pegação. Mas tô achando que o ex-marido não deixava ela usar Mounjaro. Que mal faz, né?”, disse Cibele Costa, que também estava no show citado mais acima. Já outros comentários no Instagram da juazeirense viraram até bate-boca coletivo. “Ivete emagreceu. Paixão é horrível”, disse Lais Vasconcellos. “Separação emagrece mais que Mounjaro”, rebateu Ayla. “O short folgado na cintura??? ELA SABE QUE VENCEU!!! Tá se esforçandoooooooooo e vencendoooooo”, rebateu Ayala. >
Com alegria dobrada do que já era de costume, Ivete não fala sobre esta fase solteira. Mas gosta de provocar. Em uma das únicas postagens que fez sobre o assunto, Ivete resenhava com sua manicure. “Estou fazendo barba, cabelo e bigode aqui com Vanessão. E aí, minha thuca, como é que tá esse pezinho?”, disse Ivete, num vídeo. “Tá lindo. Tá lindo ainda”, respondeu a manicure. “Eu tô seguindo para outro Clareou em Porto Alegre. Como é que vai ser?”, questionou a cantora. “Perfeito”, afirmou a profissional. “É isso aí, você que é mulher. Você tava no Clareou toda bonita. Beijou alguma boca no Clareou, Va?”, brincou Veveta.>
Como resposta, a manicure disse: “Ô, amiga, pula essa parte”. Ivete finalizou: “Tá puxado…”. Em uma de suas participações pós-término, desta vez no show de Liniker, a braba soltou o verbo. “Tenho que descarregar, não tem onde descarregar e vai dando o famoso fogo no c... Tem coisa mais romântica do que fogo no c…? Viva o fogo no c…!”, poetizou a artista. >
Ivete Sangalo
O termo “tá solteira, mas não tá sozinha”, música da própria Ivete, tem sido usado nas redes sociais em posts sobre a cantora. Há vídeos e treinos na praia, no Rio São Francisco, fotos descontraídas e até comentários que brincam com a ideia de que Ivete pode estar “curtindo a vida” enquanto mantém seu foco nas coisas que ama: música, público e momentos de lazer. E suas brincadeiras, claro. Durante o projeto Pôr do Som, de Daniela Mercury, a cantora brincou com um intérprete de Libras enquanto ele tentava traduzir a música Vampirinha.>
Ivete reparou na entrega intensa do tradutor que acompanhava o show e tentava traduzir a letra. Ao chegar no trecho “vou chupar o seu pescoço”, ela interrompeu a música, se aproximou dele e disparou: “Precisa fazer essa boca? Essa boca eu não sabia que tinha na Libras. Gostei dessa tentação”. Uma perdição…>
Mais do que fofocas ou curiosidade, essa fase tem provocado reflexões sobre como a sociedade encara a solteirice, especialmente quando se trata de mulheres maduras e figuras públicas. Nessa sociedade que ainda estigmatiza esse estado como apenas “transição” ou “momento de espera”, Ivete mostra que a solteirice pode ser celebrada como tempo de presença, descobertas e vitalidade. Contudo, será que é saudável? Apenas uma camuflagem para uma sofrência interna? Depende…>
“Na psicologia, especialmente na sistêmica, e no desenvolvimento adulto, falamos em movimentos de diferenciação, autonomia emocional e reconexão com o próprio self. Quando uma pessoa sai de uma relação longa ou significativa, pode ocorrer uma virada de chave subjetiva: retomada da autoestima, do autocuidado, da criatividade e do prazer em existir como indivíduo. Isso se expressa no corpo, na imagem, na energia vital”, explica Cristiana Kaipper, professora de psicologia da Unijorge. >
Segundo Kaipper, o verão também tem um efeito psicológico e emocional nas pessoas, “especialmente na Bahia, onde clima e cultura se encontram para criar um ambiente de alegria, festa e sedução”, reforça. Agora, imagine isso combinado com o furacão Ivete Sangalo. “Não é incomum ouvirmos histórias de pessoas que terminam relacionamentos nesses períodos do ano para viverem com liberdade e, passado o carnaval, retornam aos seus relacionamentos”, completa a psicóloga. Será?>
Apesar da intensificação no carnaval, parece que a solteirice passou a ser uma opção mais permanente do brasileiro. Uma pesquisa de 2025 revelou que 60% da população brasileira está solteira como Ivete. Destes, 34% asseguraram que estão por opção. Em 2023, o IBGE apontou que cerca de 81 milhões de pessoas estavam solteiras no Brasil. No time dos casados eram 63 milhões. >
Este número muda com o tempo, pois não é absoluto. Apesar de ter ficado 17 anos com Daniel Cady, Ivete já teve outras relações que marcaram, inclusive um casamento com Davi Moraes, além de um namoro com Luciano Hulk e até pegação com um modelo sérvio. Com todos, Ivete sempre demonstrou respeito nos términos, principalmente com o pai de seus filhos. “Com muito respeito pela nossa história e pela família que construímos, decidimos, de forma conjunta e madura, seguir caminhos diferentes. Estamos certos de que esta é a decisão mais coerente e amorosa para nós”, afirmou o casal, em conjunto, no anunciou da separação. >
Além do visual, Ivete também investiu em nova música para a virada do ano e o Carnaval 2026 que combina com o momento. Obviamente, com todo tempero e cheirinho de música do carnaval. No Festival Virada Salvador, ela apresentou Vampirinha, uma aposta que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, tanto pelo ritmo quanto pela coreografia envolvente que convida o público a cantar junto. É um hit perfeito para as solteiras, que ela não é besta. >
Ivete Sangalo agita a Concha Acústica na edição especial da Melhor Segunda com Xanddy
Mas há algo a mais nessa Vampirinha que ecoa fora do trio elétrico. O título e a estética brincam com um imaginário sedutor e poderoso que a arte já explorou antes. Em 1895, o norueguês Edvard Munch pintou a obra A Vampira. A pintura mostra a submissão do homem diante da mulher superior, que chupa o pescocinho dele “de com força”. Há quem leia submissão, mas há quem enxergue dominação. Assim como a nova música da baiana de Juazeiro, Munch mostra, nas suas diferenças de arte entre axé music e pintura a óleo, a força ambígua do desejo feminino e o impacto que ele causa no mundo.>
Ao se apropriar do tema de forma carnavalesca e menos dramática, Ivete ressignifica essa imagem. Sua Vampirinha não é a femme fatale que drena vida, mas a mulher madura que reivindica a própria vitalidade e, porque não, sua solteirice. Não chupa energia, mas espalha. Não aprisiona, mas provoca riso e fogo naquele lugar que ela já citou no show de Liniker. E faz isso dançando, cantando, rindo de si mesma e do próprio mito.>
Curiosamente, Edvard Munch também pintou outra obra clássica, O Grito, sua obra-prima da angústia moderna. Ivete parece fazer o movimento oposto: transforma o grito em suco de caos. É como se, em pleno verão, ela respondesse àquele rosto desesperado com outro grito, mas agora de liberdade. De quem vive um novo capítulo, sem medo do olhar para os outros. De quem entende que maturidade não é silêncio, é voz. E, no caso dela, voz potente, afinada e na bagaceira de quem está solteira em pleno carnaval. Já falei que ela tá gostosa?>