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Thais Borges
Publicado em 19 de maio de 2026 às 06:00
Um dia, em um grupo que mantém no Telegram, a escritora baiana Vanessa Reis e dois amigos falavam sobre nomes diferentes. A amiga, professora, comentou sobre a frequência do nome ‘Ronnie Von’ - tal qual o cantor - todos os anos, na lista de alunos de suas turmas. Até que outro colega citou uma reportagem sobre uma garota que foi batizada de Romário. A mente de escritora de Vanessa, porém, logo pensou: e não é que aquilo daria uma história legal? >
“O livro nasceu daí, de uma zoeira”, brinca ela, em entrevista ao CORREIO. A conversa que aconteceu em 2023 foi o ponto de partida para o que viria a ser Camisa Onze, sua nova comédia romântica publicada pela editora Verus (o selo de romances do Grupo Editorial Record) e que acabou de chegar às livrarias de todo o país. A história é um romance esportivo com a cara do Brasil, da Bahia e que ainda acontece em clima de Copa do Mundo. >
No livro, a protagonista se chama Ana Romário e é uma zagueira de temperamento explosivo e bem-sucedida. Seu interesse romântico - ou ‘book boyfriend’ (namorado literário, no jargão das book redes) - é Bebeto, um fisioterapeuta esportivo. Ambos batizados como as estrelas do tetracampeonato brasileiro, os dois nasceram com 11 horas de diferença e foram ligados pela amizade de suas famílias. >
A autora baiana Vanessa Reis lança a comédia romântica Camisa Onze, seu novo livro pela editora Verus
“Gosto de escrever o que gosto de ler. A certeza do final feliz é o que me faz gostar de ler livros de romance. A gente sabe como vai terminar, o que vai descobrir é como vai chegar lá. Fico muito feliz de ter escritoras de romance fazendo muita coisa boa e indo para lugares diferentes”, diz ela. >
Autora de Interseção, outro romance lançado pela Verus em 2024, Vanessa sente que, aos poucos, a resistência a livros do gênero ambientados no Brasil - e, em especial, no Nordeste - tem diminuído. O caminho, contudo, ainda é longo. “Não sou de ler resenhas, porque penso que é o local para o leitor se expressar. Mas tem algumas coisas que chegam até mim e eu dou um pouco de risada, como gente dizendo que ‘livro que passa na Bahia tem que ter um glossário’. Por que a gente é obrigado a ler ‘mano’ e não pode ler um ‘oxe’, um ‘nestante’, um ‘barril’. Esse estranhamento é um preconceito com nossa forma de falar, de enxergar o mundo. É nosso jeito. E, desculpa, porque sou muito clubista, mas nosso jeito é lindo”, reforça. >
Em 2024, Vanessa Reis foi uma das vencedoras do Prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura, do Ministério da Cultura, na categoria autora com deficiência. “Eu estava começando a escrever essa história, mas muito devagar. Não tinha um prazo. Submeti um pouquinho antes de Interseção ser lançado”, lembra. Na época, o edital dava um prêmio em dinheiro, que Vanessa destinou a melhorar sua qualidade de vida, comprando uma cadeira de rodas e uma cadeira de banho novas. Vanessa é uma pessoa com deficiência congênita chamada de osteogênese imperfeita - conhecida também como ossos de vidro, devido ao quadro de fragilidade óssea.>
“Mas pensava que, se não fosse fazer no meio tradicional, queria publicar em 2026, que é ano de Copa. Mas a Verus, sabendo do prêmio e acredito que por que Interseção se saiu muito bem, pediu para ler o manuscrito. Eles acharam que era a cara da Verus”, lembra. >
Para Vanessa, ainda há uma lacuna de autoras de romanceou deficiência publicadas no mercado tradicional. “Não quero ser uma das poucas autoras, e das poucas que dão da Bahia. A gente tem muita gente massa que produz, então as editoras precisam estar com esse olhar mais atento”. >
Futebol>
No livro, depois de anos jogando fora do Brasil, Ana retorna ao país para ficar mais perto da família, na Bahia, e para dar a chance ao pai, que tem medo de avião, de vê-la jogar. A volta para casa também precisa conviver com as dúvidas na carreira e confusões românticas.>
Bebeto, por sua vez, atua como fisioterapeuta no mesmo time onde Ana Romário passa a trabalhar. Ali, eles se reencontram após anos afastados. Tudo se passa em uma cidade fictícia no interior da Bahia, mas muito inspirada em Jacobina, onde Vanessa mora. >
“O time também é um dos maiores do Brasil, mas também não especifiquei. Me recuso a fazer uma protagonista que vista a camisa do Corinthians ou do Palmeiras, que têm os maiores times femininos do Brasil hoje”, brinca Vanessa, que é torcedora do São Paulo e do Bahia. “A cada cinco capítulos, tem um capítulo que narra um episódio relacionado à Copa do Mundo, seja de um jogo importante ou quando o Brasil foi campeão”, explica. >
Já disponível nas livrarias e em sites como a Amazon, o livro será lançado em um evento aberto ao público no Sesc de Jacobina. O preço de capa sugerido pela editora é R$ 69,90. >