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Da Redação
Publicado em 3 de fevereiro de 2009 às 23:55
- Atualizado há 3 anos
Vinte e oito lideranças indígenas decidiram nesta terça-feira (3) não apoiar os protestos contra a direção da superintendência regional da Fundação Nacional do Índios (Funai) de Dourados (MS). >
Em reunião realizada na cidade, líderes das etnias Guarani-Kaiowá, Guarani-Ñandeva e Terena defenderam a permanência de Margarida Nicoletti na chefia do escritório regional do órgão.“Achamos que este não é o momento da saída de Margarida”, afirmou o índio guarani-kaiowá e membro da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) Anastácio Peralta, em entrevista à Agência Brasil depois da assembléia.Segundo ele, os índios que habitam o sul de Mato Grosso do Sul não sabem quem seria capacitado para substituir Margarida Nicoletti caso ela deixasse a chefia da Funai na região - possibilidade já descartada pela própria Funai. >
Os índios defendem que ela fique no cargo e que seja iniciada uma discussão para indicação de um líder indígena que, futuramente, possa substituí-la. “Ainda temos que preparar uma liderança de alguma das comunidades da região para assumir a chefia”, afirmou.Desde a semana passada, cerca de 50 índios realizam manifestações pedindo o afastamento de Nicoletti. Na quinta-feira (29), eles invadiram a sede regional da Funai e só desocuparam o local no dia seguinte, após determinação da Justiça. Ontem (2), os índios iniciaram um bloqueio em um trecho da rodovia MS-156 que cruza a cidade de Dourados.Peralta afirmou que as lideranças vão pedir aos manifestantes o fim dos protestos. Mas adiantou que a negociação será complicada, pois os manifestantes sequer consultaram os líderes da região antes de invadir a Funai e bloquear a rodovia.De acordo com ele, a maioria dos índios apóia a permanência de Margarida por ser uma das defensoras da ampliação das reservas indígenas na região. >
A questão fundiária dos índios do sul de Mato Grosso do Sul é antiga e alvo de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que a Procuradoria da República firmou com a Funai exigindo novas demarcações.“A Margarida realmente abraçou a nossa causa [as demarcações]”, disse Peralta. “A tentativa de tirá-la do cargo só tende a prejudicar a resolução do nosso maior problema.”A Agência Brasil não havia conseguiu entrar em contato com os líderes dos protestos realizados em Dourados. O bloqueio da rodovia MS-56 ainda era mantido pelos manifestantes. >
(Com informações da Agência Brasil)>