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Maysa Polcri
Publicado em 17 de março de 2026 às 05:30
A Lei 15.211/2025, que atualiza regras de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital e ficou conhecida como 'Lei Felca', entra em vigor no Brasil nesta terça-feira (17). A legislação cria novas obrigações para plataformas digitais, como sistemas mais rígidos de verificação de idade e ferramentas de controle parental. >
Uma das primeiras consequências práticas já foi anunciada pela Riot Games, responsável por jogos populares como League of Legends (LoL). Para cumprir as novas regras, a empresa decidiu elevar temporariamente para 18 anos a classificação indicativa de alguns de seus títulos no Brasil, bloqueando o acesso de menores enquanto adapta seus sistemas às exigências da lei.>
Além de League of Legends, também terão a classificação alterada jogos como Teamfight Tactics, League of Legends: Wild Rift, 2XKO e Legends of Runeterra. Segundo a empresa, jogadores com 18 anos ou mais precisarão passar por um processo de verificação de idade para continuar acessando os jogos.>
De acordo com José Vinícius de Santana, especialista em Direito Digital e professor de Proteção de Dados no UniRuy, a principal mudança trazida pela legislação é o fim da autodeclaração de idade nas plataformas.>
“A partir de agora, as plataformas deixam de ser espectadoras passivas e tornam-se guardiãs ativas do acesso de menores, utilizando um arsenal tecnológico que equilibra segurança e privacidade”, explica.>
Segundo ele, o modelo antigo, baseado apenas em marcar uma caixa confirmando a idade, deixa de ser suficiente. A nova lei exige sistemas técnicos capazes de comprovar a idade real do usuário.>
Entre as ferramentas possíveis estão o reconhecimento facial por inteligência artificial, o envio de documentos oficiais como RG ou CPF e a validação de dados em sistemas oficiais de autenticação, como o Gov.br, segundo José Vinícius de Santana.>
A decisão de algumas empresas de elevar temporariamente a classificação indicativa dos jogos para 18 anos é vista como uma estratégia de adaptação ao novo cenário regulatório.>
“Mesmo para produtos restritos a adultos, a lei proíbe expressamente a simples confirmação por clique. Na prática, elevar a classificação para 18 anos obriga a empresa a implementar sistemas robustos de verificação de idade para todos os usuários”, afirma o especialista.>
Ele ressalta que a legislação brasileira também considera o chamado conceito de “acesso provável”. Ou seja, se um serviço é amplamente utilizado por adolescentes, as autoridades podem entender que apenas alterar a classificação etária não é suficiente para impedir o acesso desse público.>
Felca e Hytalo Santos
A lei também estabelece novas regras para reduzir a exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais. Entre elas está a vinculação obrigatória de contas para usuários de até 16 anos, que deverão estar associadas à conta de um responsável legal.>
“Esse mecanismo transforma o dispositivo do responsável em um terminal de controle. Através de painéis de supervisão, os pais passam a ter visibilidade sobre a rede de contatos, podendo aprovar ou bloquear interações em tempo real”, explica Santana.>
Além disso, as plataformas deverão adotar o princípio da chamada “privacidade por padrão”. Na prática, contas de menores precisarão ser criadas com níveis mais altos de proteção, como perfis privados, restrição de compartilhamento de localização e limites maiores de visibilidade pública.>
A 'Lei Felca' também proíbe o uso de dados de menores para publicidade direcionada e determina que as empresas adotem sistemas para impedir a exposição a conteúdos considerados nocivos, como pornografia, exploração sexual, automutilação, violência extrema e outras formas de material prejudicial.>
Caso as regras não sejam cumpridas, as plataformas poderão sofrer sanções que incluem advertências, multas de até 10% do faturamento no Brasil — limitadas a R$ 50 milhões por infração — e até a suspensão temporária das atividades no país por decisão judicial.>
O nome popular da legislação faz referência ao youtuber e influenciador Felca. Um vídeo viral publicado por ele em agosto do ano passado denunciou a adultização e a exploração sexual de crianças e adolescentes em redes sociais, com foco em influenciadores como Hytalo Santos, que acabou sendo preso e, depois, condenado. >