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Carol Neves
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 07:48
A Delegacia de Homicídios investiga o assassinato de Jonathan Batista, funcionário de uma ONG que presta serviços ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, morto por milicianos em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital. O crime ocorreu em meio ao aumento da tensão na comunidade, dias após a descoberta de um cemitério clandestino ligado à milícia local. Segundo a polícia, após ser torturado, o corpo de Jonathan foi exibido pelas ruas da região, numa ação que causou pânico entre os moradores. >
Uma das principais linhas de investigação indica que os criminosos teriam desconfiado de que Jonathan fosse usuário de drogas e mantivesse contato com traficantes. Outra hipótese apurada pela polícia é a de que o assassinato tenha sido uma forma de intimidar ou atingir a Associação de Moradores de Rio das Pedras, onde a vítima também atuava.>
Funcionário de ONG foi torturado e morto
De acordo com testemunhas, quatro homens participaram da execução. Entre os suspeitos está Kauã de Oliveira Teles, apontado como um dos líderes da milícia local. Ele teria assumido parte do comando do grupo criminoso após a prisão do irmão, Gerlan Anacleto de Oliveira, em 2023. A região também é controlada por Taillon Barbosa, que segue preso, segundo informações da polícia.>
Jonathan trabalhava havia cerca de três anos em um projeto estadual voltado para a população idosa, o programa 60+ Reabilita. Ele era bastante conhecido na comunidade e mantinha vínculo direto com moradores por meio de ações sociais e de reabilitação. A irmã da vítima explicou que o trabalho dele ia além do atendimento interno.>
“O Jonathan trabalhava tanto internamente na associação, na parte de reabilitação, que tem a parte de fisioterapia, fazendo os planejamentos, como também externamente na comunidade, tirando fotos dos locais que estão prejudicados para poder fazer obras”, disse a irmã de Jonathan ao portal G1. >
No Instituto Médico-Legal (IML), a irmã relatou que o corpo apresentava marcas evidentes de tortura. “Meu irmão sofreu muito, meu irmão estava amarrado”.>
Abalada, ela também descreveu quem era Jonathan fora do ambiente de trabalho. “O Jonathan era um menino, um rapaz, um homem de boa índole. O Jonathan era uma pessoa alegre, bondoso, prestativo. Era o melhor tio que duas crianças poderiam ter”.>
Ocupação>
O governo do estado informou que planeja ocupar Rio das Pedras nos próximos meses. A medida faz parte do cumprimento de uma determinação do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que prevê a elaboração de um plano de retomada de territórios dominados pelo crime organizado.>
Ao lamentar a morte do irmão, a familiar resumiu o clima de medo vivido na comunidade. “O Jonathan era uma pessoa que você não via a maldade que tá acontecendo no mundo. Mas, infelizmente, o lugar aonde ele se encontrava morando é um lugar onde a maldade está em tudo”.>