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Gigante dos fertilizantes vai vender ativos, encerrar operações e prevê cortes em massa

Sindicato afirma que desligamentos começam imediatamente e podem atingir trabalhadores diretos e terceirizados até julho

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 22 de maio de 2026 às 11:08

Mosaic Fertilizantes
Mosaic Fertilizantes Crédito: Reprodução

A decisão da Mosaic Company de encerrar as operações do Complexo Mineroquímico de Araxá, em Minas Gerais, acendeu um alerta no mercado de trabalho da cidade. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região (Sima), mais de 1.200 empregos podem ser afetados com a desmobilização anunciada pela empresa no último mês.

De acordo com o presidente do sindicato, Vicente Magalhães, em entrevista ao Araxá Hoje, as primeiras demissões começam são de 100 trabalhadores desligados na etapa inicial do processo. Atualmente, o complexo reúne aproximadamente 600 funcionários diretos e outros 600 terceirizados.

A expectativa do sindicato é que os cortes ocorram gradualmente até a paralisação total das atividades. A previsão é de que a desmobilização seja concluída após o esgotamento do estoque de materiais da unidade, algo estimado pela empresa para ocorrer até julho.

A fabricante de implementos e máquinas agrícolas John Deere demitiu 150 funcionários da unidade de Horizontina por Divulgação

O Sima informou ainda que foi firmado um acordo válido por 60 dias para tentar amenizar os impactos das dispensas. Pelo entendimento, os trabalhadores desligados receberão uma gratificação equivalente a três salários, além das verbas rescisórias previstas em lei. Também ficou acertada a manutenção do plano de saúde por seis meses após o desligamento.

Além da preocupação com os empregos diretos, o sindicato teme efeitos em cadeia sobre a economia local. Segundo Vicente Magalhães, prestadores de serviço, fornecedores e o comércio de Araxá e região também podem sofrer com a saída da companhia.

Decisão

Em comunicado, a Mosaic confirmou que iniciará o processo de paralisação e desmobilização do complexo de Araxá e também interromperá atividades de mineração ligadas ao Complexo de Patrocínio, igualmente em Minas Gerais.

Segundo a empresa, a medida faz parte de uma estratégia para reduzir custos e redirecionar investimentos. A companhia afirmou ainda que pretende avançar com a venda dos ativos de Araxá, enquanto mantém estudos ligados à exploração de nióbio em Patrocínio.

“Acreditamos que paralisar as instalações e buscar uma possível venda é o caminho certo a seguir”, disse Bruce Bodine, presidente e diretor executivo da Mosaic. “Essa decisão reflete o foco contínuo da Mosaic na disciplina em relação à alocação de capital e aos retornos.”

A companhia informou que a paralisação deve reduzir em cerca de 1 milhão de toneladas a produção anual de fosfato da Mosaic Fertilizantes. Mesmo assim, a avaliação da empresa é que o impacto no EBITDA ajustado será limitado devido ao cenário de preços elevados do enxofre, sem considerar os custos extraordinários do fechamento.

A Mosaic também projeta economias anuais entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões em despesas de capital e entre US$ 70 milhões e US$ 80 milhões em custos operacionais após a venda dos ativos.

Ainda segundo a companhia, o fechamento das operações deve gerar um impacto contábil antes dos impostos entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões no primeiro trimestre de 2026. Parte desse valor está ligada à baixa contábil de ativos e outra parcela corresponde a indenizações trabalhistas e despesas relacionadas à paralisação.

A reestruturação anunciada agora acontece após outras medidas adotadas pela empresa no fim de 2025, quando a Mosaic iniciou a interrupção da produção de superfosfato simples em unidades do Paraná e de Minas Gerais, também em meio à alta do enxofre.