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Esther Morais
Publicado em 23 de abril de 2026 às 10:55
Investigado por suspeita de usar inteligência artificial para manipular e sexualizar imagens de jovens evangélicas, o influenciador Jefferson de Souza publicava vídeos nas redes sociais criticando as roupas usadas por fiéis durante cultos da Congregação Cristã no Brasil. >
Em conteúdos divulgados em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, onde soma cerca de 50 mil seguidores, ele afirma que os vestidos “marcam o corpo” e comenta o comportamento de jovens que tiram fotos dentro dos templos e compartilham nas redes.>
O caso é investigado pela Polícia Civil de São Paulo, que apura o uso de imagens de fiéis para a produção de vídeos com tecnologia conhecida como deepfake, capaz de alterar conteúdos digitais com aparência realista.>
A investigação teve início em fevereiro, após o registro de ocorrência feito por uma adolescente de 16 anos, acompanhada dos pais, na 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, na Zona Leste de São Paulo. O caso é acompanhado pelo Ministério Público e pelo Judiciário.>
Jefferson é investigado com base no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata da simulação de conteúdo sexual envolvendo menores de idade em ambiente digital. A pena prevista varia de um a três anos de reclusão, além de multa. A polícia também apura possível prática de difamação contra outras jovens expostas.>
O influenciador admitiu às autoridades que utiliza imagens dessas fiéis como base para produzir os vídeos. Em depoimento, no entanto, negou as acusações. Já em publicações nas redes, afirma que o conteúdo tinha caráter humorístico e buscava engajamento.>
Por meio de nota, a defesa informou que as publicações tinham “intuito de sátira e crítica de costumes” e que não houve intenção de promover exploração sexual.>
Após a repercussão do caso, Jefferson publicou um vídeo pedindo desculpas aos membros da igreja. “Eu confesso que errei na minha forma de falar”, afirmou.>