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Wendel de Novais
Publicado em 23 de abril de 2026 às 11:40
Afastado há dois meses por denúncias de assédio sexual, o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), continua recebendo remuneração semelhante à de quando estava em exercício, com valores líquidos próximos de R$ 100 mil mensais, de acordo com informações do g1. >
Dados de contracheque indicam que, em valores brutos, Buzzi recebeu R$ 132 mil em fevereiro e cerca de R$ 127 mil em março — montantes semelhantes aos pagos em janeiro, antes do afastamento. Após os descontos obrigatórios, como previdência, os valores líquidos ficaram em R$ 106 mil em fevereiro e R$ 100 mil em março >
Ministro Marco Aurélio Buzzi
Os rendimentos são compostos pelo subsídio fixo de R$ 44 mil, somado a adicionais classificados como “indenizações” e “vantagens pessoais”, o que mantém o patamar salarial mesmo com o afastamento do cargo. O pagamento, no entanto, contraria uma decisão de 2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata da remuneração de magistrados afastados. >
A norma do CNJ prevê a suspensão de verbas de caráter indenizatório, temporário ou extraordinário para juízes e ministros que estejam fora do cargo durante a processos ou sindicâncias. Buzzi está afastado desde 10 de fevereiro. Com base nos elementos reunidos na sindicância, o STJ decidiu instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado. >
Paralelamente, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para apurar a conduta dele. Em posicionamentos encaminhados à imprensa, a defesa sustenta que o ministro "não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória" e afirma ainda que as acusações "carecem de provas concretas". >