Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 10:00
A jovem Thayane Smith, que acompanhava Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, na trilha do Pico Paraná, afirmou que decidiu seguir em frente e deixar o amigo para trás por considerar que aquele ritmo fazia parte do seu “estilo de vida”. A declaração veio à tona após o desaparecimento do jovem, que não é visto desde a manhã de quinta-feira (1º), quando desapareceu na trilha, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.>
Em entrevista à Record, Thayane reconheceu que acabou deixando Roberto para trás. “Quem faz trilha, é trilheiro, aventureiro, tem essa regra de ir junto e voltar junto, nunca deixar o parceiro para trás. Aí que está o porém, sei que errei nisso, eu assumo meu erro”, afirmou.>
Segundo o relato, durante o trajeto, corredores passaram pelo local e ela decidiu acompanhar o ritmo deles. “Vi que o passo deles era muito rápido, iam rápido andando, e pensei: ‘nossa, é meu ritmo’, porque esse é meu estilo de vida desde criança”, disse. Ela contou que avisou Roberto antes de seguir. “Falei ‘Roberto, você está muito devagar, posso passar na sua frente?’. Passei na frente dele e comecei a pegar o pique dos corredores”.>
Jovem desapareceu em trilha no Pico Paraná
As falas da jovem ganharam ainda mais repercussão após a circulação de vídeos publicados por ela nas redes sociais desde o início da trilha. Nos registros, Thayane aparece ao lado de Roberto e de outras pessoas, inclusive em um ônibus, comentando que passariam a virada do ano acampados na montanha.>
Em um vídeo publicado no dia 1º de janeiro, ela relata a dificuldade do percurso. “Falaram que era 5, 6 horas de viagem. Se passaram 4 horas e chegamos na metade”, afirma. A partir dessa gravação, Roberto não volta a aparecer nas imagens divulgadas.>
Em outro registro, Thayane alerta para os riscos da trilha. “A trilha é muito difícil. Isso aqui é pra disposição, pra quem é aventureiro. É a nossa vida em risco”, diz. Em vídeos seguintes, no entanto, ela aparece sorrindo já no topo do Pico Paraná, descrevendo “vistas lindas” e o “nascer do sol do maior pico do Sul”.>
Após o início das buscas, publicações feitas pela jovem chamaram atenção. Em um story, ela escreveu: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, acompanhado de emoji de risada. Em outra postagem, afirmou: “Aprendizado, nunca mais andar com alguém que não é experiente em trilhas, não é seu estilo de vida e não tem pique para isso”.>
Sobre o desaparecimento, Thayane disse que aguarda o trabalho das equipes de resgate. “Não podemos fazer nada, né? É manter o equilíbrio e esperar os profissionais, os bombeiros, darem o resultado final e fazerem o trabalho deles”, declarou. Ela também afirmou: “A minha intuição é que podem encontrar ele, mas muito, muito, muito fraco. Muito fragilizado”.>
Buscas continuam>
O Corpo de Bombeiros retomou as buscas nesta segunda-feira (5), a partir das 7h, em áreas de mata fechada e de difícil acesso no Pico Paraná. Segundo a corporação, Roberto e a amiga iniciaram a subida na tarde do dia 31 de dezembro. Durante o trajeto, o jovem teria passado mal e vomitado algumas vezes.>
A dupla chegou ao topo por volta das 4h da manhã de quinta-feira e encontrou outros dois grupos no local. Cerca de duas horas depois, começaram a descer acompanhados de um dos grupos, mas pararam em determinado ponto da trilha. Posteriormente, o outro grupo passou pelo local onde Roberto teria ficado, mas não o encontrou.>
A Polícia Civil investiga o caso, enquanto as equipes de resgate seguem mobilizadas.>
Família pede cautela>
Familiares de Roberto pediram cautela diante das acusações e especulações nas redes sociais. Em publicação, o primo Raul Farias Batista afirmou que o foco deve permanecer nas buscas. “O foco não pode ser esse. A Polícia Civil já está investigando o caso e confiamos no trabalho deles. Temos fortes motivos para acreditar que o Betinho está ‘apenas’ perdido e com vida no meio da mata”, escreveu.>
A família criou uma página oficial para centralizar informações e alertou sobre perfis falsos, publicações inverídicas e pedidos de doações indevidos em nome do jovem.>