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Carol Neves
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 07:53
As equipes do Corpo de Bombeiros retomaram nesta segunda-feira (5) as buscas por Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, desaparecido no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O jovem não é visto desde a manhã de quinta-feira (1º), após realizar a trilha ao lado de uma amiga e acabar ficando para trás. As operações seguem concentradas em trechos de mata densa e de difícil acesso. >
Enquanto as buscas avançam, o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais por causa de vídeos publicados pela amiga que acompanhava Roberto na subida, Thayane Smith. Os registros começaram a circular amplamente após o desaparecimento e mostram diferentes momentos da viagem, desde o deslocamento em ônibus até a progressão pela trilha. Ela também foi criticada porque acabou imprimindo um ritmo mais rápido na trilha e deixou Roberto ficar para trás. >
Em uma gravação feita ainda no dia 1º de janeiro, Thayane comenta sobre a dificuldade do percurso, segundo relato da CNN Brasil. “Falaram que era 5, 6 horas de viagem. Se passaram 4 horas e chegamos na metade”, afirma. A partir desse vídeo, Roberto não volta a aparecer nas imagens divulgadas.>
Jovem desapareceu em trilha no Pico Paraná
Em outro registro, ela faz um alerta sobre os riscos do trajeto. “A trilha é muito difícil. Isso aqui é pra disposição, pra quem é aventureiro. É a nossa vida em risco”, diz. Em publicações posteriores, Thayane surge sorrindo já no topo da montanha e descreve a experiência como marcada por “vistas lindas” e o “nascer do sol do maior pico do Sul”. Ela também afirmou que pretende contar a “história completa” após o encerramento das buscas.>
Após o início das operações de resgate, uma publicação feita por Thayane chamou atenção. Em um story, ela escreveu: “Interrogações, investigações, eita 2026 kkkkk. Feliz Ano Novo”, acompanhado de um emoji de risada. Em outra postagem, afirmou: “Aprendizado, nunca mais andar com alguém que não é experiente em trilhas, não é seu estilo de vida e não tem pique para isso”.>
Em entrevista à Record, a amiga disse aguardar o trabalho das equipes especializadas. “Não podemos fazer nada, né? É manter o equilíbrio e esperar os profissionais, os bombeiros, darem o resultado final e fazerem o trabalho deles”, declarou. Na mesma conversa, acrescentou: “A minha intuição é que podem encontrar ele, mas muito, muito, muito fraco. Muito fragilizado”.>
Thayane também reconheceu que seguiu adiante e deixou Roberto para trás durante a descida. “Quem faz trilha, é trilheiro, aventureiro, tem essa regra de ir junto e voltar junto, nunca deixar o parceiro para trás. Aí que está o porém, sei que errei nisso, eu assumo meu erro”, afirmou. Segundo ela, decidiu acompanhar corredores que tinham um ritmo mais rápido. “Falei ‘Roberto, você está muito devagar, posso passar na sua frente?’. Passei na frente dele e comecei a pegar o pique dos corredores”, relatou.>
Repercussão e pedidos de cautela>
Com a repercussão, familiares passaram a pedir cuidado com acusações contra Thayane e especulações sobre o que pode ter acontecido na trilha. Em uma publicação nas redes sociais, Raul Farias Batista, primo de Roberto, afirmou que o foco deve permanecer nas buscas. “O foco não pode ser esse. A Polícia Civil já está investigando o caso e confiamos no trabalho deles. Temos fortes motivos para acreditar que o Betinho está ‘apenas’ perdido e com vida no meio da mata”, escreveu.>
A família criou uma página oficial para centralizar informações, que já reúne mais de 160 mil seguidores. Em postagens recentes, os parentes alertaram para a circulação de perfis falsos, notícias inverídicas e possíveis golpes. Um advogado foi contratado, e a família informou que tomará medidas legais contra contas que solicitem doações ou Pix em nome do jovem.>
Em outro comunicado, os familiares reforçaram o pedido de apoio de montanhistas experientes. “As buscas ainda estão ativas e temos fé de encontrá-lo. A equipe de bombeiros do GOST e do COSMO estão nos ajudando, mas a região do Pico Paraná é muito grande e de difícil acesso e visibilidade”, diz o texto, direcionado a voluntários com experiência na área.>
Irmã de Juliana Marins faz apelo>
O desaparecimento também mobilizou pessoas ligadas a acidentes parecidos. Mariana Marins, irmã de Juliana Marins, jovem que morreu em junho de 2025 após cair de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, fez um apelo público. “Jamais deixem uma pessoa sozinha. Ninguém pode ficar para trás. A vida de todo mundo que está nessa trilha importa”, afirmou.>
Na ocasião, Juliana ficou para trás para descansar um pouco e quando o guia voltou a jovem havia caído. Outros turistas no local fizeram imagens da jovem ainda com vida, caída metros abaixo. Após dias de tentativas de resgate, ela foi encontrada já sem vida.>
Cronologia segundo os bombeiros>
De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto e a amiga iniciaram a subida na tarde de 31 de dezembro. Durante o trajeto, o jovem teria passado mal e vomitado algumas vezes. A dupla chegou ao cume por volta das 4h da manhã de quinta-feira e encontrou outros dois grupos no local.>
Cerca de duas horas depois, começaram a descer acompanhados de um desses grupos, mas pararam em determinado ponto da trilha. Posteriormente, o outro grupo que havia permanecido no topo passou pelo local onde Roberto teria ficado, sem encontrá-lo. Ainda na tarde de quinta-feira, os bombeiros foram acionados e deram início às buscas.>
Nas redes sociais, o perfil de Roberto indica atuação como técnico de segurança do trabalho, bombeiro civil, socorrista resgatista, consultor financeiro de investimentos e instrutor de NR-11. O caso é investigado pela Polícia Civil, enquanto o Corpo de Bombeiros mantém as operações de busca e salvamento no Pico Paraná.>