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Carol Neves
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 20:01
O escritor e dramaturgo Manoel Carlos faleceu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família, que não divulgou a causa da morte. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, em tratamento contra a Doença de Parkinson, que nos últimos anos comprometeu seu desenvolvimento motor e cognitivo. >
Em nota, a família afirmou: "A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado". O velório será fechado, reservado a familiares e amigos próximos.>
Conhecido pelo público como Maneco, ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, que colaborou em várias de suas obras. Manoel teve outros três filhos que já faleceram: o dramaturgo Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior e o estudante de teatro Pedro Almeida.>
Relembre novelas de Manoel Carlos
Helenas, Rio de Janeiro e dramas familiares>
O legado de Manoel Carlos está profundamente ligado às “Helenas”, personagens que marcaram gerações. Desde Baila Comigo (1981) até Em Família (2014), suas heroínas retratavam mães cujos desafios e sacrifícios eram movidos pelo amor incondicional pelos filhos. Ele explicava: “Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas… defendem um filho até a injustiça.”>
Outro traço característico de suas tramas era o Rio de Janeiro, que aparecia como cenário e quase como personagem, além da abordagem de conflitos familiares universais. “Procuro apenas fazer uma coisa verossímil. O amor se parece em todas as línguas, todos os países. O ódio, a inveja, o ciúme… tudo isso existe em qualquer família”, disse Manoel em entrevista.>
Entre suas novelas mais lembradas estão Felicidade, História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família. Ele também escreveu minisséries como Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009).>
Trajetória artística e início na TV>
Nascido em São Paulo, em 1933, Manoel Carlos se considerava carioca de coração. Filho de um comerciante e de uma professora, começou a trabalhar aos 14 anos, mas desde cedo se interessou por literatura e teatro, participando do grupo de jovens “Adoradores de Minerva”, que incluía Fernanda Montenegro e Fernando Torres.>
A carreira artística começou nos palcos e na TV aos 17 anos, como ator no Grande Teatro Tupi. Pouco depois, estreou como produtor e diretor e passou a escrever para programas de diversas emissoras, como TV Record, TV Itacolomi e TV Tupi. Em 1972, entrou para a TV Globo como diretor-geral do Fantástico.>
Sua estreia como autor de novelas na Globo foi em 1978, com adaptações de Maria, Maria e A Sucessora. Ao longo dos anos, consolidou seu estilo voltado a histórias de família e personagens femininas fortes, muitas vezes inspiradas em sucessos da radionovela.>