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Carol Neves
Publicado em 7 de fevereiro de 2026 às 08:19
A garota Yasmin Amorim, de 12 anos, morreu nesta sexta-feira (6), em Cascavel, no interior do Paraná, após anos de luta contra um neuroblastoma, tipo de câncer infantil agressivo. O caso ganhou repercussão nacional depois que empresários desviaram recursos destinados à compra dos medicamentos necessários ao tratamento. >
Yasmin estava internada no Hospital do Câncer de Cascavel quando o quadro se agravou. Horas antes, a mãe, Daniele Aparecida Campos, havia relatado piora no estado de saúde e organizava uma corrente de oração, mas a menina não resistiu.>
Diagnosticada em 2018, aos cinco anos, Yasmin chegou a entrar em remissão após tratamento inicial. Porém, o câncer voltou em 2020.>
Morre Yasmin Amorim
"Ela tinha um tumor no pescoço e no tórax, iniciou o tratamento, graças a Deus foi um sucesso o tratamento dela. Ela entrou em remissão, não tinha mais células cancerígenas e em 2020, infelizmente, ela teve uma recidiva, a doença voltou", contou a mãe ao portal G1.>
Após novos ciclos de tratamento, incluindo transplante de medula, a doença retornou novamente, levando a família a buscar na Justiça, em 2024, o custeio de medicamentos importados avaliados em R$ 2,5 milhões.>
Medicamentos não foram entregues integralmente>
A Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse o remédio Danyelza. Uma empresa foi contratada, mas subcontratou outra importadora, que não entregou a medicação completa.>
O hospital recebeu apenas uma ampola do medicamento, quando eram necessárias seis. Outro remédio, o Leukine, também chegou em quantidade inferior: das 60 caixas previstas, apenas 10 foram entregues, além de versões genéricas.>
A Polícia Civil pediu o bloqueio das contas das empresas, mas encontrou valores praticamente zerados. Enquanto a Justiça tentava recuperar o dinheiro, o governo estadual realizou compra emergencial para manter o tratamento. Mesmo assim, ao final de 2024, Yasmin não apresentou melhora significativa e, em 2025, não conseguiu concluir a segunda fase do protocolo, permitindo o avanço da doença.>
Empresários foram condenados>
Os empresários Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux foram condenados por estelionato a penas que somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão, em regime inicialmente fechado. Ambos estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro acusado foi absolvido.>
A sentença destacou que o atraso na entrega dos medicamentos agravou o sofrimento da criança, que passou a depender de morfina para suportar dores intensas.>