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Perla Ribeiro
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 14:04
Quem estava acostumado a sempre dar um jeitinho para cometer infrações no trânsito e passar despercebido, agora conta com um olheiro mais eficiente. Com o uso da Inteligência Artificial, câmeras instaladas em pontos estratégicos das rodovias, dotadas com resolução ultradefinida, conseguem identificar detalhes mesmo com veículos em velocidade de 300 km/h. As informações foram veiculadas no Fantástico, da TV Globo. >
As câmeras operam dia e noite, sem interferência de reflexos ou baixa luminosidade. As imagens obtidas são analisadas pela IA em tempo real e, a partir daí, são sinalizadas as possíveis infrações registradas. "A gente apresenta um conjunto de dados para ela, para ela treinar e validar em cima daquilo, e depois ela consegue replicar esse conhecimento em imagens que ela não viu até então", explicou o coordenador de gestão operacional da Arteris, uma das maiores companhias do setor de concessão de rodovias do Brasil, Cassio Vinícius Carletti Negri.>
Radares com IA flagram uso de celular e falta de cinto de segurança a até 300km/h
As informações captadas pela ferramenta são confirmadas por agentes humanos antes da autuação. "O que o policial faz é verificar se, de fato, não houve nenhum erro no trabalho da inteligência", explica Fábio Rocha de Souza, inspetor da PRF. Em Ribeirão Preto (SP), uma das primeiras concessionárias a adotar o sistema, os números impressionam: entre julho e novembro de 2025, foram registradas mais de 20 mil infrações, sendo mais de mil por uso do celular e quase 17 mil por falta do cinto de segurança.>
De acordo com uma concessionária, houve redução de 30% nos acidentes após a instalação dos equipamentos. “As pessoas percebem que podem ser multadas e isso aumenta o nível de segurança para a rodovia”, afirma Ana Caetano, gerente de operações da concessionária.>
O presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego), Antonio Meira, alerta que o uso do celular causa três tipos de distração: manual, visual e cognitiva. “A 80 km/h, ler uma mensagem pode significar dirigir por até 100 metros às cegas”, explica. Gerente de operações de uma concessionária, Alessandro Pereira considera que estamos vivendo a epidemia da distração. “Antigamente, as pessoas apenas falavam ao celular. Hoje, dirigem digitando mensagens, o que aumenta o potencial risco de acidente", afirma.>
No Rio de Janeiro, outra tecnologia ajuda a combater infrações graves. Drones são usados para identificar motoristas que tentam burlar a Lei Seca, parando o carro antes da blitz e trocando de lugar com passageiros para escapar do bafômetro. Há também quem tente retornar pela contramão ou atravessar o canteiro central — mas as imagens aéreas permitem que as equipes façam a abordagem rapidamente. "A gente precisa mudar os comportamentos, as atitudes, para que a gente possa preservar vidas", ressalta Anthony Lima, superintendente da PRF/Ceará.>