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Wendel de Novais
Publicado em 19 de março de 2026 às 10:36
Uma troca de mensagens entre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, revela o tom de controle e intimidação adotado pelo oficial dias antes da morte da policial, registrada em um apartamento no Brás, região central de São Paulo. Ele está preso e responde por feminicídio. As informações são da TV Globo. >
De acordo com relatório da Polícia Civil, cinco dias antes do crime, a vítima afirmou ao marido que estava “praticamente solteira”. A resposta veio em seguida: "Jamais! Nunca será". Para os investigadores, a reação demonstra um comportamento marcado por possessividade e recusa em aceitar o fim do relacionamento. >
Geraldo Neto é suspeito por morte de Gisele Alves
Na sequência, o oficial reforça o discurso de controle sobre a vida da companheira. “Se vc quer ter liberdade pra seguir quem vc [você] quiser Vc tem que ficar solteira. Enquanto vc estiver casada comigo e vivendo na minha casa, na minha comanda, as coisas serão do meu jeito. Enquanto vc ter [estiver] casada comigo não admito seguir outros homens e ficar de conversa com outros homens. Mulher casada comprometida e que o marido é o único provedor do lar tem regras a cumprir. Se vc quer ter liberdade, não fique casada.” >
Em outro trecho, ele volta a impor regras baseadas na dependência financeira. “Enquanto estiver casada comigo e morando comigo, onde eu pago todas as contas: Aluguel; Condominio; Água; Luz; Gás; Mercado; Etc.. São as minhas regras e do meu jeito.” O material integra a investigação que levou ao indiciamento do tenente-coronel, que nega o crime, mas foi preso e segue à disposição da Justiça. >
Cena de suicídio montada >
O pedido de prisão do tenente-coronel foi feito após a polícia concluir que a morte da soldada Gisele Alves Santana não foi suicídio, mas um caso de feminicídio seguido de fraude processual. A decisão pela preventiva do oficial foi feito nesta terça-feira (17) e conta com aval do Ministério Público de São Paulo. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
O caso teve uma reviravolta, já que Geraldo alegou que Gisele se matou após ele pedir a separação e só apareceu como investigado na última semana. A situação se inverteu depois da análise de dois dos 24 laudos produzidos por peritos e considerados decisivos para afastar a hipótese inicial. >
O caso, registrado inicialmente a partir da alegação de Geraldo, passou a ser tratado como morte suspeita e levou à exumação do corpo da vítima no dia 7 de março. De acordo com os peritos, os exames indicam que a policial foi imobilizada pelo pescoço e não apresentou sinais de defesa. Há ainda indícios de que ela pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo disparo. >