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Wendel de Novais
Publicado em 19 de março de 2026 às 07:36
Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam episódios de humilhação e agressões verbais contra a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, no centro de São Paulo. O oficial foi preso nesta quarta-feira (18), após a Justiça Militar decretar a prisão preventiva por feminicídio e fraude processual. >
Nas conversas, obtidas pela TV Globo, a vítima relata que era alvo constante de piadas, ofensas e comportamentos que classificava como abusivos, inclusive no ambiente de trabalho. Segundo os registros, o tenente-coronel frequentava o local onde ela atuava e permanecia por horas observando suas atividades. >
Tenente-coronel saiu sem algemas e com bancos traseiros
Em uma das mensagens, Gisele cobra mudança de atitude do marido. “Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, escreveu. Em outro trecho, reforça: “Se você quer separar, vamos separar. Mas, se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos. Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”.>
A policial também relatou ofensas diretas. “Toda hora jogando piada, me chamando de burra, mandando arrumar um soldado. O que a função tem a ver com relacionamentos?”, disse. Inicialmente, o tenente-coronel alegou que a esposa havia tirado a própria vida após uma discussão, versão que foi descartada após a Polícia Civil apontar inconsistências e laudos indicarem homicídio. A prisão foi solicitada com base no indiciamento pelos crimes de feminicídio e tentativa de alteração da cena do crime.>
Cena de suicídio montada >
O pedido de prisão do tenente-coronel foi feito após a polícia concluir que a morte da soldada Gisele Alves Santana não foi suicídio, mas um caso de feminicídio seguido de fraude processual. A decisão pela preventiva do oficial foi feito nesta terça-feira (17) e conta com aval do Ministério Público de São Paulo. >
O caso teve uma reviravolta, já que Geraldo alegou que Gisele se matou após ele pedir a separação e só apareceu como investigado na última semana. A situação se inverteu depois da análise de dois dos 24 laudos produzidos por peritos e considerados decisivos para afastar a hipótese inicial. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
O caso, registrado inicialmente a partir da alegação de Geraldo, passou a ser tratado como morte suspeita e levou à exumação do corpo da vítima no dia 7 de março. De acordo com os peritos, os exames indicam que a policial foi imobilizada pelo pescoço e não apresentou sinais de defesa. Há ainda indícios de que ela pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo disparo. >
A perícia também concluiu que a cena foi alterada, sendo montada pelo tenente-coronel. Isso porque havia sangue em ‘lugares errados’ e a posição dos pés não era compatível com a de casos de suicídio. As conclusões foram tiradas a partir do caminho que a bala fez para atingir a cabeça de Gisele e a profundidade de ferimentos no pescoço da soldado que indicaram uma imobilização da vítima antes da morte. >