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Tenente-coronel cobrava que esposa morta fosse 'obediente e submissa' e fez cartilha de comportamento

Conversas revelam comportamento controlador e ciumento do oficial

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 19 de março de 2026 às 08:49

Mensagens mostram comportamento controlador do suspeito Crédito: Reprodução

Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto revelam um discurso de controle e submissão direcionado à esposa, a soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça em um apartamento em São Paulo. O oficial foi preso na quarta-feira (18) e é acusado de feminicídio e fraude processual. As informações são da TV Glogo.

De acordo com a Polícia Civil, o conteúdo das conversas integra o inquérito que levou ao indiciamento do militar. Nos diálogos, ele se descreve como um “macho alfa” e afirma que a companheira deveria se comportar como uma mulher submissa. “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu.

Gisele Alves Santana por Reprodução

As mensagens também mostram imposições e restrições à rotina da vítima. O oficial criticava a autonomia da esposa e estabelecia regras de comportamento. "Não cumprimentar homens com beijo no rosto e abraços", determinou. Em outros trechos, reforçou a visão de controle: "Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto" e "Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho."

A denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça, que tornou o tenente-coronel réu e manteve a prisão preventiva. Ele já havia sido detido por decisão da Justiça Militar, a pedido da Corregedoria da PM, e está custodiado no Presídio Militar Romão Gomes. Para a acusação, o crime foi motivado por ciúmes e comportamento possessivo.

Cena de suicídio montada

O pedido de prisão do tenente-coronel foi feito após a polícia concluir que a morte da soldada Gisele Alves Santana não foi suicídio, mas um caso de feminicídio seguido de fraude processual. A decisão pela preventiva do oficial foi feito nesta terça-feira (17) e conta com aval do Ministério Público de São Paulo.

O caso teve uma reviravolta, já que Geraldo alegou que Gisele se matou após ele pedir a separação e só apareceu como investigado na última semana. A situação se inverteu depois da análise de dois dos 24 laudos produzidos por peritos e considerados decisivos para afastar a hipótese inicial.

Tenente-coronel foi preso em condomínio por TV Vanguarda

O caso, registrado inicialmente a partir da alegação de Geraldo, passou a ser tratado como morte suspeita e levou à exumação do corpo da vítima no dia 7 de março. De acordo com os peritos, os exames indicam que a policial foi imobilizada pelo pescoço e não apresentou sinais de defesa. Há ainda indícios de que ela pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo disparo.

A perícia também concluiu que a cena foi alterada, sendo montada pelo tenente-coronel. Isso porque havia sangue em ‘lugares errados’ e a posição dos pés não era compatível com a de casos de suicídio. As conclusões foram tiradas a partir do caminho que a bala fez para atingir a cabeça de Gisele e a profundidade de ferimentos no pescoço da soldado que indicaram uma imobilização da vítima antes da morte.

Tags:

Tenente-coronel Preso Gisele Alves Santana Geraldo Neto