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Wendel de Novais
Publicado em 19 de março de 2026 às 09:32
Mensagens obtidas pela Corregedoria da Polícia Militar indicam que a soldado Gisele Alves Santana teria sido agredida pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 13 dias antes de ser morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, na região central de São Paulo. >
De acordo com relatório da investigação, no dia 6 de fevereiro, a vítima relatou episódios de violência ocorridos na véspera. Em uma das mensagens, ela descreve o comportamento do oficial e menciona a agressão. “Você sempre caçando um motivo para brigar. Mas você vai ver só. Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”, escreveu. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Segundo a Corregedoria, o conteúdo das conversas reforça indícios de violência doméstica no relacionamento. “as extrações das mensagens trocadas entre a Sd PM Gisele e o oficial revelam, inclusive, episódio que sugere a ocorrência de violência física praticada contra a vítima”, aponta o documento. >
A morte, registrada em 18 de fevereiro, chegou a ser tratada inicialmente como suicídio. No entanto, após questionamentos da família e aprofundamento das apurações pela Polícia Civil, laudos periciais concluíram que a policial foi vítima de homicídio. O tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual. >
Cena de suicídio montada >
O pedido de prisão do tenente-coronel foi feito após a polícia concluir que a morte da soldada Gisele Alves Santana não foi suicídio, mas um caso de feminicídio seguido de fraude processual. A decisão pela preventiva do oficial foi feito nesta terça-feira (17) e conta com aval do Ministério Público de São Paulo. >
O caso teve uma reviravolta, já que Geraldo alegou que Gisele se matou após ele pedir a separação e só apareceu como investigado na última semana. A situação se inverteu depois da análise de dois dos 24 laudos produzidos por peritos e considerados decisivos para afastar a hipótese inicial. >
Imagens mostram movimentação no corredor após morte de Gisele
O caso, registrado inicialmente a partir da alegação de Geraldo, passou a ser tratado como morte suspeita e levou à exumação do corpo da vítima no dia 7 de março. De acordo com os peritos, os exames indicam que a policial foi imobilizada pelo pescoço e não apresentou sinais de defesa. Há ainda indícios de que ela pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo disparo. >
A perícia também concluiu que a cena foi alterada, sendo montada pelo tenente-coronel. Isso porque havia sangue em ‘lugares errados’ e a posição dos pés não era compatível com a de casos de suicídio. As conclusões foram tiradas a partir do caminho que a bala fez para atingir a cabeça de Gisele e a profundidade de ferimentos no pescoço da soldado que indicaram uma imobilização da vítima antes da morte. >