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PF mira esquema milionário de fraude em concursos públicos com ponto eletrônico e gabarito antecipado

Investigação revela participação de servidores e cobrança de até R$ 500 mil por vaga

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 23 de março de 2026 às 10:56

Esquema tinha ponto eletrônico e gabarito antecipado Crédito: Reprodução/Fantástico

Um esquema sofisticado de fraude em concursos públicos, que envolvia pagamento de propina, uso de tecnologia e cooptação de servidores, foi desvendado por investigadores e expôs um mercado clandestino de venda de aprovações no Brasil. De acordo com informações do Fantástico, candidatos chegavam a pagar até R$ 500 mil para garantir uma vaga em cargos de alto escalão.

A investigação teve início após uma denúncia anônima que levou os agentes até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, localizado em Patos, na Paraíba. Ele e dois parentes figuram entre os aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, cuja remuneração ultrapassa R$ 22 mil.

A análise do celular da sobrinha dele, Larissa Neves, foi determinante para revelar a engrenagem do esquema. Em áudios encontrados no aparelho, familiares discutem detalhes da fraude, incluindo a necessidade de subornar fiscais de prova, desativar câmeras de segurança e até recorrer ao uso de um “boneco” — uma pessoa contratada para fazer o exame no lugar do candidato.

Policial rodoviário federal e dois empresários são presos por esquema de pagamento de propina por Divulgação

As investigações apontam que o grupo utilizava diferentes estratégias para burlar o sistema. Entre elas estavam pontos eletrônicos para transmissão de respostas em tempo real, envio de fotos dos cadernos de questões durante a aplicação das provas e, em alguns casos, o acesso antecipado ao gabarito oficial.

Horas antes da prova para auditor fiscal, mensagens trocadas por Larissa indicam que ela cobrava o envio das respostas. Segundo os investigadores, antes mesmo do início do exame, ela já teria recebido tanto o tema da redação quanto o gabarito completo.

Um dos nomes centrais apontados no esquema é Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como “Mister M”. Ele trabalhava na Fundação Cesgranrio, responsável pela organização do CNU, e posteriormente passou a atuar no Tribunal Regional da Paraíba. De acordo com as apurações, ele teria acesso prévio às provas e orientava como violar os envelopes sem deixar sinais. "O lacre é fácil demais, tanto romper e botar de novo", disse em um dos áudios obtidos durante a investigação.

Outro personagem apontado como peça-chave é Thyago José de Andrade, identificado como líder da organização criminosa. Ele seria responsável por recrutar funcionários de instituições organizadoras de concursos em diferentes partes do país, ampliando o alcance do esquema.

Além do CNU, o grupo também atuava em seleções para tribunais, bancos públicos e universidades. Conversas interceptadas mostram negociações envolvendo cifras elevadas. Em um dos registros, Wanderlan menciona uma dívida de R$ 400 mil com Thyago relacionada a um serviço prestado a um candidato.

Segundo os investigadores, nem todos os beneficiados conseguiam pagar os valores de forma imediata. Em alguns casos, eram feitos acordos que incluíam parcelamentos e até a entrega de bens, como veículos e viagens, como forma de quitação.

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Concurso Público Polícia Federal Fraude Esquema Milionário