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Wendel de Novais
Publicado em 9 de abril de 2026 às 07:50
Imagens de câmera corporal de um policial militar registraram os momentos seguintes ao disparo que matou Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem no bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. O caso aconteceu na última sexta-feira (3) e passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo. As informações são do g1. >
No vídeo, um dos agentes questiona a autora do disparo, a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos: "Você atirou? Você atirou nela? Por quê, ca***?". A policial responde que efetuou o tiro após, segundo ela, ter sido agredida pela vítima: “Me deu um tapa”. >
Soldado PM Yasmin atirou em Thawanna durante abordagem
As imagens mostram que a equipe era composta pelos soldados Weden Silva Soares, responsável por dirigir a viatura e que utilizava a câmera corporal, e Yasmin, que não estava equipada com o dispositivo por ter ingressado recentemente na corporação — ela atuava no patrulhamento havia cerca de três meses. >
De acordo com o registro da ocorrência, por volta das 2h58, a viatura entrou na Rua Edimundo Audran. Em determinado momento, o retrovisor do carro atingiu o braço de Luciano Gonçalvez dos Santos, marido da vítima. O policial que conduzia o veículo parou, deu marcha à ré e iniciou uma discussão: "A rua é lugar para você estar andando, ca*****?". >
Na sequência, Luciano reagiu dizendo: "Ô, Steve", expressão usada entre policiais. O agente rebateu: "Steve, o ca*****!". Thawanna, então, contestou a versão apresentada pelos militares: "Não, não, com todo o respeito, vocês que bateram em nós". Logo depois, a soldado Yasmin desceu da viatura. É possível ouvir a vítima pedindo que a policial não apontasse o dedo em sua direção. Em seguida, ocorre o disparo. >
Outras imagens mostram a chegada de uma segunda viatura por volta das 3h. O policial que usava a câmera relata o ocorrido enquanto tenta prestar os primeiros socorros até a chegada do resgate, cerca de 30 minutos depois. Em seguida, os agentes deixam o local. A Secretaria da Segurança Pública informou que a policial responsável pelo tiro e os demais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. O caso está sob investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).>
Familiares de Thawanna contestam a versão policial e afirmam que não houve abordagem antes do disparo. Já a Polícia Militar sustenta que a vítima teria avançado contra a equipe. A morte provocou protestos de moradores de Cidade Tiradentes, que denunciaram a atuação violenta da polícia na região.>
Caso é investigado pela Polícia Civil
Versão da família >
O companheiro da vítima afirma que a viatura trafegava em alta velocidade e quase atingiu o casal, o que gerou a reação de Thawanna. Segundo ele, a policial desceu do veículo já de forma agressiva e iniciou a abordagem com violência física, enquanto outro agente o imobilizava. >
Ele sustenta que a mulher não teve comportamento agressivo e que, mesmo sem oferecer risco, os policiais usaram spray de pimenta. Uma testemunha reforça essa versão e relata que houve agressões físicas antes do disparo, que teria ocorrido após a vítima reagir afastando a mão da agente. >
Versão da polícia >
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais faziam patrulhamento quando o homem teria se desequilibrado e atingido o retrovisor da viatura. Ao retornarem, os agentes afirmam que o casal passou a discutir e desobedecer ordens, apresentando sinais de embriaguez. >
Ainda segundo a PM, a situação evoluiu para confronto físico, quando Thawanna teria avançado contra a policial e desferido tapas. A agente afirma que tentou se defender e conter a agressão, momento em que ocorreu o disparo. >