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Polícia aponta que academia usava em um dia na piscina a carga de cloro recomendada para uma semana

Delegado considera que medida adotada por academia era uma forma de manter contínua as atividades, sem interrupções, no intuito de obter lucro máximo

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 17:48

Casal passou mal após entrar em piscina
Casal passou mal após entrar em piscina Crédito: Reprodução/TV Globo

A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (12) que a academia C4 Gym utilizava, em um dia, a quantidade de cloro que, de acordo com parâmetros técnicos, deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte. A declaração foi feita pelo delegado do 42º Distrito Policial de São Paulo, Alexandre Bento, durante coletiva de imprensa sobre as investigações do caso.

Segundo o delegado, durante as investigações eles constataram haver indícios de interferência dos empresários na condução do caso desde as primeiras horas após a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, 27 anos, além da intoxicação de outros frequentadores. “Ficou evidenciado, bem claro, aqui na nossa investigação a manipulação por parte dos empresários. Eles ocultaram um outro manobrista, tentaram atrasar a oitiva do Severino, mandaram esse outro manobrista, que é o Sr. Reginaldo, compareceram a noite lá e não souberam explicar ao certo porque eles mandaram o Reginaldo ir 21h na academia.”

Casal passou mal após entrar em piscina por Reprodução

De acordo com a autoridade policial, Reginaldo teria sido orientado a comparecer ao local sob a justificativa de abrir janelas para dispersar o odor de cloro. No entanto, a versão não se sustentaria, pois no local não há janelas. “O Reginaldo alega primeiro que pediram para ele ir abrir as janelas, mas no local onde fica as piscinas não há janelas. O local é lacrado, não há janelas, então não teria como abrir as janelas para dispersar os gases. Eles buscavam dificultar a investigação, na medida em que, abrindo as janelas, eles esperavam dispersar os gases do ambiente para quando chegasse a perícia ou a polícia no domingo o ambiente parecesse normal, o que foi impossível, porque se a gente entrar na academia agora, que fica do outro lado da rua, o cheiro de cloro permanece muito forte.”

A polícia afirma que o forte odor persistente reforça a tese de uso excessivo de produto químico em ambiente fechado. Ainda segundo Alexandre Bento, os autos indicam que a dosagem aplicada fugia completamente do padrão técnico esperado para o tipo de piscina existente no estabelecimento.

“Eles chegavam a usar em um dia na academia uma medida que normalmente para esse tipo de piscina, dentro do padrão, é utilizado em uma semana. A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana em uma piscina desse tipo”, informou. Ainda segundo o delegado, a prática tinha relação direta com a manutenção contínua das atividades, sem interrupções, no intuito de obter lucro.

“E eles faziam tudo isso visando lucro máximo, para que a piscina nunca fosse fechada. Eles davam aula de segunda a segunda, faziam a manutenção ainda com as pessoas ali, justamente para evitar fechar a piscina. Qualquer técnico tem conhecimento que, no momento da manutenção do produto, o local deve estar apenas com os técnicos, sem a presença de terceiros. E, após a aplicação desse produto, há a necessidade de aguardar o período de descanso da água para que ela possa voltar a ser utilizada”, acrescentou.

A investigação apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, além da intoxicação de outros frequentadores. O marido dela segue internado em estado grave na UTI, assim como um adolescente de 14 anos. Os três proprietários da academia foram indiciados por homicídio com dolo eventual, e a Justiça ainda deve analisar o pedido de prisão.