Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

Cientistas plantam árvores para frear deserto, mas projeto tem efeito contrário e piora clima na região

Entenda como o projeto chinês no Deserto de Gobi acabou secando reservatórios locais e alterando o ciclo das chuvas

  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Agência Correio

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 20:15

As lições da Grande Muralha Verde africana mostram que reflorestar exige ciência e respeito ao equilíbrio do ecossistema
As lições da Grande Muralha Verde africana mostram que reflorestar exige ciência e respeito ao equilíbrio do ecossistema Crédito: Agenzia Dire/Wikimedia Commons

Ver uma floresta onde antes havia areia pode parecer uma coisa positiva, mas, em alguns casos, significa um sucesso ambiental enganoso. No final dos anos 1970, o governo da China tentou conter o Deserto de Gobi com árvores, mas acabou prejudicando ainda mais o acesso à água local.

O objetivo central era criar uma barreira vegetal capaz de barrar a areia e absorver grandes volumes de dióxido de carbono. No entanto, a estratégia ignorou a harmonia necessária entre as espécies escolhidas e o solo daquela região.

Projeto chinês no Deserto de Gobi acabou secando reservatórios locais e alterando o ciclo das chuvas por Reprodução | Tereza Perez

A escolha das espécies

A pressa em mostrar resultados positivos nos mapas oficiais levou à escolha de árvores que possuem um crescimento muito acelerado.

O plano consistia em plantar milhões de mudas para formar rapidamente um paredão verde contra o deserto.

Segundo a revista científica Weather, essas espécies exóticas não eram compatíveis com o ecossistema original.

Por serem inadequadas ao clima local, elas passaram a exigir grandes quantidades de água para conseguir sobreviver.

Impacto nos aquíferos

A partir dos anos 2000, essa nova vegetação começou a competir pelos mesmos recursos naturais que abasteciam as cidades e as áreas agrícolas.

Como resultado, a população sofreu com uma redução drástica na disponibilidade de água para o consumo humano.

Uma pesquisa publicada na Earth's Future explica que as raízes buscavam umidade em camadas extremamente profundas da terra.

Esse processo contínuo de sucção acabou esgotando aquíferos importantes localizados em regiões do leste e do noroeste.

Alteração nas chuvas

As árvores captavam a água do solo e a devolviam para a atmosfera por meio de uma evapotranspiração muito intensa. Essa dinâmica provocou uma reformulação inesperada do ciclo hidrológico em diversas províncias chinesas.

A água continuou circulando, mas passou a cair em forma de chuva em locais muito distantes de onde era necessária. O projeto que deveria salvar o ambiente acabou desequilibrando a distribuição natural das chuvas na região.

O modelo africano

Um caminho diferente foi seguido na África com a Grande Muralha Verde, que atravessa o território de 22 países.

A iniciativa estabeleceu um cinturão vegetal que se estende por aproximadamente 8.000 quilômetros e apresenta resultados positivos para o ecossistema.

O projeto é coordenado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e foca em minimizar a degradação do solo, resgatar áreas do continente e priorizar o manejo sustentável da terra, com a colaboração de comunidades locais.

Esses dois casos mostram que o reflorestamento é um trabalho cuidadoso, que precisa de estudo e planejamento. Plantar árvores sem critério pode prejudicar o equilíbrio da natureza em vez de ajudar a recuperar áreas degradadas.