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Agência Correio
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 20:15
Ver uma floresta onde antes havia areia pode parecer uma coisa positiva, mas, em alguns casos, significa um sucesso ambiental enganoso. No final dos anos 1970, o governo da China tentou conter o Deserto de Gobi com árvores, mas acabou prejudicando ainda mais o acesso à água local.>
O objetivo central era criar uma barreira vegetal capaz de barrar a areia e absorver grandes volumes de dióxido de carbono. No entanto, a estratégia ignorou a harmonia necessária entre as espécies escolhidas e o solo daquela região.
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Deserto do Gobi
A pressa em mostrar resultados positivos nos mapas oficiais levou à escolha de árvores que possuem um crescimento muito acelerado. >
O plano consistia em plantar milhões de mudas para formar rapidamente um paredão verde contra o deserto.>
Segundo a revista científica Weather, essas espécies exóticas não eram compatíveis com o ecossistema original.>
Por serem inadequadas ao clima local, elas passaram a exigir grandes quantidades de água para conseguir sobreviver.>
A partir dos anos 2000, essa nova vegetação começou a competir pelos mesmos recursos naturais que abasteciam as cidades e as áreas agrícolas. >
Como resultado, a população sofreu com uma redução drástica na disponibilidade de água para o consumo humano.>
Uma pesquisa publicada na Earth's Future explica que as raízes buscavam umidade em camadas extremamente profundas da terra. >
Esse processo contínuo de sucção acabou esgotando aquíferos importantes localizados em regiões do leste e do noroeste.>
As árvores captavam a água do solo e a devolviam para a atmosfera por meio de uma evapotranspiração muito intensa. Essa dinâmica provocou uma reformulação inesperada do ciclo hidrológico em diversas províncias chinesas.>
A água continuou circulando, mas passou a cair em forma de chuva em locais muito distantes de onde era necessária. O projeto que deveria salvar o ambiente acabou desequilibrando a distribuição natural das chuvas na região.>
Um caminho diferente foi seguido na África com a Grande Muralha Verde, que atravessa o território de 22 países. >
A iniciativa estabeleceu um cinturão vegetal que se estende por aproximadamente 8.000 quilômetros e apresenta resultados positivos para o ecossistema. >
O projeto é coordenado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) e foca em minimizar a degradação do solo, resgatar áreas do continente e priorizar o manejo sustentável da terra, com a colaboração de comunidades locais.>
Esses dois casos mostram que o reflorestamento é um trabalho cuidadoso, que precisa de estudo e planejamento. Plantar árvores sem critério pode prejudicar o equilíbrio da natureza em vez de ajudar a recuperar áreas degradadas.>