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Perla Ribeiro
Publicado em 5 de março de 2026 às 09:01
Pelo menos seis pessoas foram presas nesta quinta-feira (5) por suspeita de participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Polícia Civil de São Paulo. Entre os presos há três policiais civis, uma doleira e outros dois investigados. No total, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, inclusive em unidades policiais, além de 11 mandados de prisão preventiva e seis mandados de intimação relativos a medidas cautelares diversas da prisão, direcionados a integrantes da organização criminosa, advogados e policiais civis. >
As prisões fazem parte de uma operação do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil. A investigação apura a participação de policiais, advogados e operadores financeiros no esquema. De acordo com a decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos. Entre as medidas autorizadas estão prisões preventivas, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados. >
Segundo o MP, a operação visa desarticular um amplo e estruturado esquema de corrupção policial voltado à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais. As investigações apontam ainda que o grupo criminoso era composto por doleiros, operadores financeiros e indivíduos com extenso histórico de prática de atos de lavagem de capitais.>
A organização atuava de forma coordenada para assegurar a continuidade das práticas criminosas e evitar a responsabilização de seus integrantes. Para isso, fazia pagamentos sistemáticos de vantagens indevidas a agentes públicos, além de adotar estratégias de fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas no âmbito de inquéritos policiais.>
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades".>
A investigação aponta que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados para ocultar a origem de recursos ilícitos, incluindo o uso de empresas de fachada e a simulação de operações de importação. Um dos pontos centrais do esquema seria a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, operada por meio de estabelecimentos comerciais fictícios.>