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Wendel de Novais
Publicado em 17 de março de 2026 às 08:37
Mensagens enviadas pela soldada Gisele Santana a uma amiga antes de ser encontrada morta com um tiro na cabeça, no mês passado, revelam o temor que ela tinha do próprio marido, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto. As informações foram apresentadas pela defesa da família de Gisele e publicadas inicialmente pelo g1. Nas mensagens, ela explica que precisa, de alguma forma, controlar o comportamento ciumento do marido e mostra temor pela vida. >
"Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego. Não tenho como controlar o que falam, muito menos o que acham [...]", escreveu a policial na conversa com a amiga, segundo os advogados. O histórico de tensão no relacionamento também foi reforçado em depoimento prestado pela mãe da vítima à polícia. De acordo com ela, Gisele vivia uma relação abusiva, marcada por conflitos constantes, e o oficial teria comportamento violento e controlador.>
Ainda conforme o relato, a soldada enfrentava restrições impostas pelo companheiro no dia a dia. Ela não poderia usar batom, salto alto ou perfume, além de ser cobrada de forma rígida em relação às tarefas domésticas. A mãe contou ainda que, ao manifestar o desejo de se separar, Gisele teria sido alvo de uma atitude considerada ameaçadora por parte do marido. Segundo ela, o tenente-coronel enviou uma imagem pelo celular em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.>
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Versão do tenente-coronel>
Geraldo Neto, que passou a ser investigado pela morte de Gisele Santana, negou ter cometido o crime de feminicídio contra ela e reforçou o seu relato de que a soldado teria cometido suicídio. Ao Domingo Espetacular, da TV Record, o tenente-coronel afirmou que ouviu um disparo e encontrou a esposa morta logo após ele pedir a separação, o que já teria feito antes. >
"Eu entrei no quarto, dei bom dia e falei 'olha, amor, eu acho que é melhor a gente se separar mesmo'. Ela se levantou da cama e me empurrou para fora do quarto com muita força. Eu saí e entrei no banho. [...] Aí, quando eu estava no banho, ouvi um barulho. Abri o box, abri a porta e a vi caída no chão”, contou em entrevista. O suspeito afirmou ainda que deixou o apartamento aberto para ter ‘transparência’ do que houve. >
Imagens mostram movimentação no corredor após morte de Gisele
Desde o início do caso, a família acusa Geraldo de manter uma relação abusiva com Gisele e chegou a divulgar prints que revelaram que ele tinha acesso às mensagens da esposa. Para o oficial, a família tenta construir uma narrativa e ‘achar um culpado’. Ele, inclusive, argumenta que, dentro da relação, não havia brigas e que tentou se separar de Gisele anteriormente, mas não conseguiu porque ela não quis. >
"Nunca teve briga. Usar 'briga' é um termo errado. Havia discussão. Briga sugere agressão. E nunca houve agressão. Havia discussões por ciúmes. [...] Eu falei para ela que a gente precisava terminar o relacionamento. Eu agendei o divórcio por três vezes (setembro, outubro e novembro). Por três vezes ela não foi. Ela não queria se separar", completou. >
O caso >
Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, que afirmou às autoridades que ela teria cometido suicídio. A versão, no entanto, foi contestada pela família e por laudos que apontam lesões e desmaio de Gisele antes do disparo que a atingiu na cabeça ter sido deflagrado. >
O laudo também descreve que as marcas encontradas no corpo da policial eram "contundentes" e provocadas "por meio de pressão digital e escoriação compatível com arranhões característicos de marcas de unhas". >