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Wendel de Novais
Publicado em 4 de março de 2026 às 08:14
Um registro de conversa obtido pela família da policial militar Gisele Alves Santana, 32 anos, aponta que o tenente-coronel Geraldo Neto afirmava monitorar e administrar as redes sociais da esposa. A informação faz parte do material entregue à Polícia Civil, que apura a morte da agente, ocorrida na residência do casal, segundo o g1. >
Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do imóvel onde vivia com o marido. O caso é tratado, até o momento, como morte suspeita. De acordo com o advogado da família, José Miguel Silva, o conteúdo da conversa reforça a hipótese de controle excessivo e violência psicológica. >
No diálogo, o oficial teria utilizado o perfil da própria esposa para repreender um primo dela após visualizar mensagens trocadas entre os dois. Na conversa, segundo o relato da defesa, o marido afirma que o parente estaria “conversando demais” com Gisele. “Ele tinha acesso e total controle às redes sociais dela”, afirmou o advogado ao g1. >
Prints mostram comportamento abusivo de tenente-coronel
Ainda conforme o defensor, o primo respondeu de forma amigável — “eu sou primo dela, a gente foi criado juntos, legal, vamos marcar um churrasco” —, mas o marido encerrou a interação de maneira ríspida: “não quero que fique de conversa”.Para a família, o print integra um conjunto de elementos que indicariam um relacionamento marcado por restrições e comportamento controlador. >
O advogado sustenta que Gisele era impedida de manter contato frequente com familiares, de usar maquiagem, de frequentar academia e que vinha manifestando desejo de se separar. A Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte. >
Sangue no box >
A perícia realizada na casa onde a Gisele vivia com Geraldo Neto encontrou vestígios de sangue no box do banheiro da residência. O detalhe pode representar uma mudança no rumo do caso que, segundo o relato de Geraldo, foi inicialmente registrado como suicídio, mas agora é apurado como morte suspeita. >
De acordo com informações do g1, o sangue foi identificado por peritos criminais com o uso de luminol no box do banheiro, local onde o tenente-coronel afirmou estar quando ouviu um disparo e, em seguida, encontrou Gisele caída. >
Gisele e Geraldo estavam juntos desde 2024 e moravam com a filha da soldado, de 7 anos, que não estava no imóvel no momento da morte. Após a confirmação das marcas de sangue no banheiro, o tenente-coronel e os socorristas que atenderam à ocorrência passaram por uma nova rodada de depoimentos conduzida pelo delegado responsável pelo caso. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Investigação >
Familiares afirmaram à polícia que Gisele mantinha um relacionamento abusivo com Geraldo, o que levanta suspeitas sobre ele. Segundo parentes relataram ao Fantástico, diante dos problemas no casamento, a vítima teria comunicado ao tenente-coronel e à família que pretendia pedir o divórcio. >
Ela teria, inclusive, ligado para o pai pedindo que ele fosse buscá-la na residência do casal. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui", teria dito dias antes de morrer. A pressão, segundo familiares, seria exercida por Geraldo. >
Os parentes também afirmam que o tenente-coronel enviou um vídeo à soldado no qual apontava uma arma para a própria cabeça e ameaçava se matar. "Uma pressão psicológica: 'se você se separar de mim, eu vou te matar ou vou me matar logo em seguida'", relatou um familiar que preferiu não se identificar em entrevista ao Fantástico. >
Ainda segundo a família, a filha de 7 anos de Gisele, fruto de um relacionamento anterior, teria presenciado episódios de violência psicológica e não queria retornar à casa onde os conflitos aconteciam. As mudanças de comportamento do oficial teriam sido percebidas após o casamento. >