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Wendel de Novais
Publicado em 3 de março de 2026 às 07:34
A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça em São Paulo, registrou uma reviravolta. Isso porque a perícia realizada na casa onde a mulher vivia com o marido — o tenente-coronel Geraldo Neto — encontrou vestígios de sangue no box do banheiro da residência. O detalhe pode representar uma mudança no rumo do caso que, segundo o relato de Geraldo, foi inicialmente registrado como suicídio, mas agora é apurado como morte suspeita. >
De acordo com informações do g1, o sangue foi identificado por peritos criminais com o uso de luminol no box do banheiro, local onde o tenente-coronel afirmou estar quando ouviu um disparo e, em seguida, encontrou Gisele caída. O caso foi registrado em 18 de fevereiro, e a versão apresentada pelo marido é contestada pela família, que afirma que a policial militar vivia um relacionamento abusivo.>
Gisele e Geraldo estavam juntos desde 2024 e moravam com a filha da soldado, de 7 anos, que não estava no imóvel no momento da morte. Após a confirmação das marcas de sangue no banheiro, o tenente-coronel e os socorristas que atenderam à ocorrência passaram por uma nova rodada de depoimentos conduzida pelo delegado responsável pelo caso. O laudo necroscópico, que ainda não foi concluído, deve apontar a trajetória do projétil e fornecer mais elementos para a investigação.>
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
Investigação>
Familiares afirmaram à polícia que Gisele mantinha um relacionamento abusivo com Geraldo, o que levanta suspeitas sobre ele. Segundo parentes relataram ao Fantástico, diante dos problemas no casamento, a vítima teria comunicado ao tenente-coronel e à família que pretendia pedir o divórcio.>
Ela teria, inclusive, ligado para o pai pedindo que ele fosse buscá-la na residência do casal. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui", teria dito dias antes de morrer. A pressão, segundo familiares, seria exercida por Geraldo.>
Os parentes também afirmam que o tenente-coronel enviou um vídeo à soldado no qual apontava uma arma para a própria cabeça e ameaçava se matar. "Uma pressão psicológica: 'se você se separar de mim, eu vou te matar ou vou me matar logo em seguida'", relatou um familiar que preferiu não se identificar em entrevista ao Fantástico.>
Ainda segundo a família, a filha de 7 anos de Gisele, fruto de um relacionamento anterior, teria presenciado episódios de violência psicológica e não queria retornar à casa onde os conflitos aconteciam. As mudanças de comportamento do oficial teriam sido percebidas após o casamento.>
Proibições>
A mãe da policial declarou à polícia que a filha vivia sob constantes conflitos e atitudes controladoras por parte do marido. De acordo com o relato, o oficial proibia o uso de batom, salto alto e perfume, além de exigir rigor no cumprimento das tarefas domésticas.>
O caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado e morte suspeita. Conforme o boletim de ocorrência, o oficial afirmou ter encontrado a esposa caída no chão do imóvel, com uma arma em uma das mãos e intenso sangramento. Gisele foi socorrida e encaminhada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não resistiu.>
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que "diligências estão em andamento". Em nota, a pasta acrescentou: "A Polícia Civil esclarece que o caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado no 8º DP (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito da vítima".>
Até o momento, o tenente-coronel não figura formalmente como suspeito no inquérito, que segue sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo.>