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Wendel de Novais
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 10:05
Antes de ser encontrada morta com tiro na cabeça em São Paulo, Gisele Alves Santana, 32 anos, chegou a pedir para o pai tirá-la da casa onde vivia com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53, seu marido. O oficial afirma tê-la encontrado morta dentro da residência dos dois, mas familiares afirmaram à polícia que Gisele estava em um relacionamento abusivo com Geraldo, o que levanta suspeita sobre ele. >
Segundo relato de parentes ao Fantástico, por conta dos problemas no casamento, a vítima teria comunicado ao tenente-coronel e à família iria pedir o divórcio. Ela, inclusive, chegou a fazer uma ligação para o pai pedindo que ele fosse buscá-la na residência do casal. "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui", teria dito ela dias antes de morrer. >
Gisele foi encontrada com tiro na cabeça
A pressão, de acordo com familiares, seria feita por Geraldo. Os familiares indicam que o tenente-coronel chegou a enviar um vídeo ameaçador para a soldado apontando uma arma para própria cabeça e ameaçando se matar. "Uma pressão psicológica: 'se você se separar de mim, eu vou te matar ou vou me matar logo em seguida'", contou um familiar, que preferiu não se identificar em entrevista ao Fantástico. >
Os relatos não param por aí. Ainda segundo familiares, a filha de 7 anos de Gisele, que é de um relacionamento anterior, chegou a presenciar atos de violência psicológica de Geraldo e não queria voltar para a casa onde o problema acontecia. Todas as ações teriam sido registradas depois do casamento, quando a família percebeu uma mudança clara de comportamento do tenente-coronel em relação à vítima. >
Proibições >
A mãe da policial militar afirmou à polícia que a filha vivia um relacionamento marcado por conflitos constantes e comportamento abusivo por parte do marido. De acordo com ela, o oficial proibia o uso de batom, salto alto e perfume, além de exigir rigor no cumprimento de tarefas domésticas. >
O caso foi inicialmente registrado como morte suspeita e suicídio. De acordo com o boletim de ocorrência, o oficial relatou ter encontrado a esposa caída no chão do imóvel, com uma arma em uma das mãos e intenso sangramento. Gisele foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não resistiu. >
Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que "diligências estão em andamento". Em nota, a pasta acrescentou: "A Polícia Civil esclarece que o caso foi inicialmente registrado como suicídio consumado no 8º DP (Brás). Posteriormente, foi incluída a natureza de morte suspeita para apurar as circunstâncias do óbito da vítima". >
Até o momento, o tenente-coronel não figura como suspeito no inquérito, que segue sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo. >