Blocos afro serão homenageados no tema do Carnaval de Salvador

Neste ano a festa receberá cerca de R$ 15 milhões, que também será revertido para o Carnaval Ouro Negro e festas populares, como a Micareta de Feira de Santana

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  • Yasmin Oliveira

Publicado em 9 de janeiro de 2024 às 18:59

Bloco Ilê Aiyê
Bloco Ilê Aiyê Crédito: Valter Pontes/Secom

'Os 50 anos do Carnaval dos Blocos Afro' é o tema da maior festa de rua do mundo deste ano. A decisão foi divulgada na tarde desta terça-feira (9) após uma reunião entre representantes dos blocos e do Governo do Estado, que dobrará o investimento para o Carnaval. Neste ano, o primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê completa meio século.

O presidente e fundador do bloco, Vovô do Ilê, celebrou a homenagem e relembrou como os blocos afros modificaram o Carnaval da Bahia após a sua existência com os ritmos de matriz africana sendo incorporados na música baiana. "Estamos lutando para mostrar que o bloco afro não existe apenas três dias por ano no Carnaval e que realizamos uma transformação nas comunidades”, expressou o Vovô do Ilê.

“Buscamos fazer esse resgate do protagonismo dos blocos afro, nós entendemos que eles precisam de valorização", disse o secretário de cultura, Bruno Monteiro.

Além do tema proposto, o encontro também tratou dos pedidos feitos pelas entidades. "Uma das reivindicações é o apoio permanente que não se restringe apenas ao Carnaval. Entendemos que essas entidades não fazem só o Carnaval, eles fazem cultura e a cultura é o ano inteiro. Nós pretendemos implementar isso por meio da política nacional Aldir Blanc, que irá garantir recursos para a cultura pelos próximos cinco anos”, explicou o secretário de cultura, Bruno Monteiro.

Investimento

Em 2023, foram investidos R$8 milhões, enquanto neste ano a festa receberá cerca de R$ 15 milhões, que será revertido em segurança pública, saúde, justiça e direitos humanos.

Além do investimento no Carnaval 2024, o valor também será revertido para o Carnaval Ouro Negro, que reúne os blocos de matrizes africanas através de editais, e festas populares, como a Micareta de Feira de Santana.

“O Ouro Negro começa em 2008. De lá para cá é a primeira vez que a gente tem uma reunião pra discutir as políticas públicas dentro das manifestações de todo esse segmento do Afoxé, do Samba de Roda, da capoeira e do bloco afro e por incrível que pareça nos meus quarenta e um anos de carreira, de história nessa vida, é também a primeira vez que a gente veio antes do Carnaval", comemorou Tonho Matéria, representante dos blocos afro e presidente do Bloco Capoeira.

"É um avanço. A gente precisa e acredito que a partir de agora a gente possa discutir mais e ampliar mais essas políticas nas comunidades, porque o carnaval é o que Gilson Nascimento diz na sua canção: ‘Ele é um complemento’. É aonde a gente deságua as nossas necessidades e nossos sonhos que a gente teve durante o ano inteiro”, completou Tonho Matéria.

Em busca de mostrar a homenagem e valorizar os projetos sociais, educativos e comunitários desenvolvidos pelos blocos afro fora do período do Carnaval que demandam um custo, o Governador convocou os representantes para iniciar um diálogo que possa auxiliá-los com os custos. “Nós convocamos os representantes dos blocos para que eles pudessem apreciar essa homenagem e permiti-la, mesmo que às vezes a gente não peça permissão para homenagear, a gente quer fazer algo que não é só durante o Carnaval”, disse Jerônimo Rodrigues.

Participaram da reunião o governador Jerônimo Rodrigues, o vice-governador Geraldo Júnior, o secretário de Cultura Bruno Monteiro e a secretária da Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais Ângela Guimarães com os representantes dos blocos Olodum, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Malê Debalê, Cortejo Afro, Banda Didá, Bankoma, Muzenza, Os Negões e Filhos do Congo.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela